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Milhão retrata-se e diz que tudo não passou de um plano: “merecia um prémio de marketing”

O fundador da Prozis afirma que as "declarações incendiárias" que fez valem "10 milhões de euros" em publicidade.
Falou sobre toda a polémica.

A polémica que está a envolver a Prozis e o seu fundador continua dar que falar. Após a posição oficial da marca, que defende a “liberdade de expressão”, o empresário concedeu a sua primeira entrevista à comunicação social para falar sobre controvérsia.

Ao Negócios, jornal com quem aceitou falar sobre o tema, Milhão pediu a meio da conversa (que apenas será publicada segunda-feira, dia 4 de julho) para fazer uma declaração. Nesta espécie de carta aberta aos portugueses, o dono da Prozis recapitula os acontecimentos que se seguiram à publicação no LinkedIn que espoletou a discussão nas redes sociais e fora delas.

Recorde-se que Miguel Milhão escreveu que “os bebés por nascer voltaram a ganhar os direitos nos EUA”, após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos reverter a decisão do histórico caso Roe Vs. Wade, que estabelecia o direito ao aborto, reconhecendo que a Constituição dos Estados Unidos protegia, em regra, a liberdade de uma mulher grávida que o quisesse fazer.

Na missiva agora divulgada, o empresário reconhece que “o impacto do ‘post’ tinha tomado proporções que nunca acharia possível acontecer”.  Então, diz, resolveu “começar a fazer o que sabe fazer melhor: pensar”.

O objetivo da reflexão foi responder à pergunta: “Como poderia transformar uma situação terrível numa situação benéfica para mim, para a Prozis e para todos os portugueses?”

Depois de muita polémica — que o próprio alimentou com “declarações cada vez mais incendiárias” — assegura agora que tudo o que se seguiu não passou de um plano para publicitar a Prozis.

Como forma de responder à questão que se colocou, decidiu que a melhor forma de reagir seria dar ainda mais ímpeto ao tema e falar sobre a liberdade de expressão.

“Cheguei à conclusão que a ‘mob’ são como os zombies. Os zombies são seres humanos que foram contaminados por um vírus que lhes retira a capacidade de pensar — ficam autómatos, e o seu único objetivo é infetar outros humanos. Não vencem pela inteligência ou agilidade, mas sim pelos números”, considera.

Das várias afirmações que fez, e que geraram muitas reações negativas e consternação generalizada, destacam-se o facto de “a Prozis não precisar de Portugal”, e as declarações que proferiu em direto no podcast interno da empresa — quando abordou pela primeira vez o tema — e onde destratou os críticos e detratores descrevendo-os como “filhos da puta”. 

A emissão aconteceu terça-feira, 28 de junho, no dia anterior à Prozis emitir um comunicado oficial partilhado nas redes sociais. Depois dos insultos do fundador a empresa apelou à paz e ao “respeito pela pluralidade de opiniões”.

Agora, Milhão revela que a sua prestação no podcast, cuidadosamente encenada, com “uma câmara de filmar a apontar diretamente para os olhos, em ‘close up’”, foi apenas uma etapa na execução do seu ardiloso plano.

“Quem poderia acreditar que alguém que fica 10 anos sem falar com a comunicação social chega para chamar ‘filhos da puta’ aos seus clientes? Ninguém.”

“Quem é que poderia acreditar que uma empresa que tem 10 fábricas, mais de 1000 colaboradores, milhares de parceiros , e centenas de milhares de clientes em Portugal, Não precisaria deste pais?”, acrescentou.

Consegui fazer com que os zombies trabalhassem para mim, simplesmente porque eles não pensam. Tenho de agradecer a muita gente. Ninguém sabia do meu plano”, escreveu em jeito de conclusão.

Antes de finalizar a carta, Miguel Milhão destaca ter cumprido os dois objetivos que definiu quando desenhou a sua estratégia de “manipular os zombies”, algo fácil de fazer porque “não são muito inteligentes”.

Por um lado, orgulha-se de ter colocado o “todo o País a falar na liberdade de expressão”. Por outro, somou mais-valias no processo, uma vez que “a Prozis teve publicidade como nunca na sua história. E de graça”, frisou.

Miguel Milhão não quis rematar a explicação sem deixar de elencar outros méritos da sua estratégia: “Com toda a humildade, acho que merecia um prémio de marketing. Eu calculo que o valor de publicidade conseguida esteja acima dos 10 milhões de euros.”

“Acho que todos ficamos a ganhar — menos os zombies, é claro. A esses, apenas digo: Xeque-mate!”, concluiu.

Indignadas e em desacordo com as declarações iniciais do empresário, muitas influencers e conhecidas embaixadoras da marca decidiram cortar relações com a Prozis. Porém, nem todas o fizeram. Por isso, mereceram uma nota de solidariedade da marca — foi o caso de Joana Amaral Dias, que explicou à NiT ter sido “contratada para divulgar a Prozis, não ideologias e crenças”.

A NiT falou ainda com um ex-funcionário da empresa, que conta tudo sobre as festas privadas com cabras anãs e que até chegaram a ter José Castelo Branco a rebolar junto aos animais.

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