Saúde

Miúdos do terceiro ao nono ano escolhem “ansiedade” como palavra de 2021

O impacto da pandemia de Covid-19 levou a pesquisa anual de vocabulário do ano passado a focar-se no bem-estar.
Pesquisa falou com cerca de oito mil alunos britânicos.

Depois de “Brexit” e “coronavírus”, em 2019 e 2020, respetivamente, “ansiedade” foi a palavra mais utilizada entre as crianças do Reino Unido. A conclusão resulta de um estudo conduzido pela Oxford University Press (OUP) — casa editorial da reconhecida faculdade britânica —, que contou com a participação de, aproximadamente, oito mil alunos do terceiro ao nono ano.

Os estudantes foram questionados sobre as principais palavras que utilizariam para falar sobre saúde mental e as suas experiências durante o confinamento. Mais de um em cada cinco, o que corresponde a 21 por cento dos entrevistados, disseram que “ansiedade” foi o termo com o qual mais se identificaram em 2021. Seguiram-se “desafiador”, com 19 por cento dos votos; e “isolar”, que ficou pelos 14 por cento.

Citado pelo “The Independent”, Joe Jenkins, diretor executivo do impacto social na The Children’s Society, comentou que é “preocupante” que “ansiedade” seja a palavra mais comum entre os miúdos, mas nem por isso “surpreendente quando consideramos todas as restrições e mudanças que tiveram de suportar”.

“Ter conversas e utilizar a linguagem certa é incrivelmente importante ao apoiar crianças se estas estiverem ansiosas, isoladas ou a enfrentar desafios difíceis. É também crucial que sejam capazes de expressar como se sentem”, acrescentou. 

Helen Freeman, diretora de educação infantil e doméstica na OUP, foi ao encontro desta mesma ideia. “É importante agora, mais do que nunca, que se invista no apoio ao desenvolvimento da linguagem das crianças em casa e na escola”, defendeu.

Especialistas da Oxford University Press consideraram que os resultados obtidos destacam o impacto que o confinamento e o fecho das escolas teve nas crianças, assim como “o papel vital que a linguagem tem para as crianças no que diz respeito a autoexpressão, aprendizagem e bem-estar”.

Professores das 85 escolas que participaram na pesquisa também responderam quais as palavras que repetem mais vezes quando falam com os menores sobre saúde física e mental. Dos inquiridos, 31 por cento destacou “resiliência”. “Desafiador” e “bem-estar” fecham o pódio.

Estes dados surgem a propósito da atualização que a OUP está a fazer aos seus dicionários e recursos para escolas, com novas frases e definições para termos que se popularizaram durante a pandemia. “Bolha”, “confinamento” e “auto isolamento” são apenas alguns dos exemplos.

A pesquisa revelou ainda que, enquanto as crianças disseram ter-se ajustado bem às mudanças na vida diária durante o confinamento e as restrições sociais, lidaram pior com o facto de não poder participar em passatempos ou ver os amigos e a família.

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