Saúde

Morreram dois médicos com Covid-19 em Portugal nos últimos dias

A notícia foi avançada pela Ordem dos Médicos esta quinta-feira, durante uma audição no parlamento.
Portugal regista mais de 9000 óbitos desde o início da pandemia.

Esta quinta-feira, 21 de janeiro, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), durante uma audição no parlamento, disse que há muito tempo que não eram divulgados números dos profissionais de saúde em relação à pandemia. Após essa frase, Miguel Guimarães fez saber que apenas nos últimos dias morreram dois médicos vítimas da doença no nosso País.

“Só nos últimos dois dias faleceram dois médicos com covid-19, que estavam obviamente a trabalhar. Esta é uma realidade que nos começa a escapar. O número de infetados médicos, as necessidades que estão a acontecer no terreno e o impacto na vida das pessoas”, alertou, citado pela “SIC Notícias”.

O bastonário aproveitou para dirigir-se aos deputados, lamentando que, embora a OM sempre tenha demonstrado vontade em colaborar, nunca foi nunca “foi objetivamente ouvida” pela ministra da Saúde, Marta Temido.

“Este é um aspeto que eu gostaria de realçar porque numa situação de emergência médica, de emergência em saúde pública, eu acho que era fundamental que a senhora ministra da Saúde ouvisse as várias ordens profissionais e as pusesse a colaborar na resposta que temos que dar a esta pandemia”, disse.

E foi ainda mais longe: “Eu acho piada quando se ouvem apenas os epidemiologistas e se retira da equação as pessoas que todos os dias fazem um Serviço Nacional de Saúde, que todos os dias dão a sua vida pessoal para salvar outras vidas e sobretudo aquelas que conhecem exatamente o que é que está a acontecer no terreno.”

Miguel Guimarães também alertou para todas as necessidades do setor, alertando que “não se pode continuar a deixar as pessoas morrerem à porta dos hospitais”, nomeadamente nas ambulâncias.

O bastonário aproveitou, ainda, para referir que os profissionais de saúde estão a fazer “um trabalho magnífico”, mas “não conseguem ir mais além porque na realidade faltam pessoas, equipamentos e camas de internamento e de cuidados intensivos”.

Destacou também “o sofrimento que os médicos estão a ter no campo, no terreno, no campo de batalha”, com profissionais a “fazerem 24 sobre 24 horas por falta de médicos”, acrescentando que muitos deles estão em burnout (exaustão).

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