Saúde

Morreu uma pessoa vítima de Covid a cada 6 minutos em Portugal

Os especialistas avisaram e os números dão-lhes razão naquelas que foram as 24 horas mais negras da pandemia no País.
Mais um record — que não será o último

As previsões mais negras dos epidemiologistas chegaram mais cedo do que se previa. Manuel Carmo Gomes anunciava na segunda-feira, 18 de janeiro, que Portugal quebraria a barreira dos 14 mil novos casos e 200 mortes diárias dentro de uma semana. Dois dias depois, o cenário negro torna-se real.

Numa altura em que o governo prepara a implementação de ajustes no confinamento aplicado há uma semana, Portugal regista o dia mais trágico desde o início da pandemia — um título que, à imagem do que tem sucedido no último mês, será batido em breve.

Nas últimas 24 horas, entre terça e esta quarta-feira, registaram-se mais 14.647 infetados e 219 mortes. Isto significa que morreu um português a cada seis minutos. No dia anterior tinha sido a cada sete.

A nova vaga de infeções e óbitos arrancou definitivamente a 6 de janeiro, quando o País ultrapassou pela primeira vez a barreira das 10 mil infeções — precisamente 12 dias depois das festividades do Natal. Desde então, só os dias de menor testagem justificam os número que vão ficando abaixo deste limite que em março era uma miragem e que hoje é visto como normal.

O mesmo sucedeu logicamente com o número de mortes, que a 8 de janeiro ultrapassou a barreira dos 100 e não mais baixou desse limite. Em pouco mais de uma semana, o número de óbitos diários duplicou.

A subida está em consonância com outra previsão assustadora: a de que Portugal irá registar cerca de 10 mil mortes nos próximos dois meses. O número foi avançado por Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em declarações ao “Diário de Notícias”.

“O teto para a projeção dos óbitos estava num valor valor médio de 224 por dia. Na segunda-feira, a previsão indicava que seria de 200 óbitos a partir de 24 de janeiro, e isso já foi ultrapassado”, revela.

Esta subida é, para os especialistas, uma consequência natural do relaxamento das medidas promovidas pelo governo durante os dois dias de Natal. Uma responsabilidade que o primeiro-ministro António Costa assumiu esta terça-feira, embora aponte também o dedo aos portugueses “pela forma como as famílias celebraram”.

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