Saúde

Não deve experimentar a dieta do alho francês de “Emily in Paris” — saiba porquê

O alho francês é benéfico para a saúde, mas não é milagroso. A nutricionista explica.
A receita já é um sucesso na Internet.

Quando o alho francês foi protagonista de um episódio da popular série “Emily in Paris”, foi mostrado aos espectadores um lado da cultura francesa que o resto do mundo normalmente não vê. No programa da Netflix, durante uma reunião sobre como promover o legume junto dos consumidores norte-americanos, Sylvie, a chefe parisiense de marketing da Savoir, sugere atrair os americanos com receita da sopa de alho francês. Uma preparação incluída em muitos regimes bem conhecidos em França de quem tenciona perder alguns quilos.

Mas afinal qual é esta dieta que recebe tantos elogios? “O alho francês é um alimento dietético para as mulheres francesas. Cozêmo-lo e bebemos a água”, diz Sylvie. “É o segredo das mulheres francesas para estarem sempre magras.” Para os americanos, há muito obcecados pela cultura alimentar francesa, este segredo pode ser um choque. Os franceses comem croissants, queijos e baguetes, bebem vinho e fumam talvez um cigarro ou dois. Mas como é que não engordam? Esta pode ser a razão. 

As taxas de obesidade e doenças cardíacas em França mantêm-se relativamente baixas, apesar de as pessoas comerem muitos alimentos pouco saudáveis e, normalmente, ricos em gordura saturada.

O livro “French Women Don’t Get Fat” (um título que pode ser traduzido como “As Mulheres Francesas Não Engordam”) reforçou esta ideia. Publicado em 2004, tornou-se um sucesso enorme de vendas, com mais de três milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Os leitores estavam ansiosos por descobrir como apreciar as especialidades de França, mas controlar o peso — sem ter de abdicar do chocolate e do Bordeaux, tal como as mulheres francesas.

Foi também este livro que introduziu a preparação mágica de alho francês ao resto do mundo: o manuscrito começa com uma sopa rápida e fácil de 48 horas. Normalmente, é consumida durante dois dias e, muitas vezes, antes de um evento especial. 

O alho francês é rico em vitamina C, que ajuda a reforçar o sistema imunitário, favorece a absorção de ferro e a produção de colagénio. Este vegetal é ainda rico em vitaminas A e K, assim como o manganês, um mineral que ajuda a reduzir a síndrome pré-menstrual. Este mal-estar caracteriza-se por irritabilidade, ansiedade, depressão e dores de cabeça que podem ocorrer entre sete a 10 dias antes e geralmente terminam poucas horas após o início da menstruação.

A nutricionista Bárbara de Almeida Araújo explica à NiT que no que diz respeito à perda de peso, o alho francês pode ser um aliado já que é baixo em calorias — cerca de 31 por cada 100 gramas. É ainda fonte de água e fibra, ou seja, ajuda a promover a saciedade fazendo com que se sinta menos fome.

“Sabemos que dietas ricas em vegetais promovem a perda de peso, e isso, não é diferente com o alho francês”, diz a nutricionista. A sua adição à alimentação contribui para o aumento da ingestão de vegetais e contribui para uma melhor gestão do peso ao longo do tempo.

“Apesar de contribuir para a perda de peso por si só o alho francês não é milagroso nem tão pouco é saudável seguir uma dieta apenas à base deste vegetal”, explica. Contudo, segundo a nutricionista, podemos e devemos introduzi-lo nas refeições do dia a dia para aproveitar a sua riqueza nutricional e o facto de ser baixo em calorias. Como? Salteado, à brás, na sopa, em estufados ou em quiches.

A gordura é estigmatizada um pouco por todo o Ocidente, mas como a personagem de Sylvie leva a crer, em França a pressão para ser magra é ainda maior. A taxa de obesidade no país, embora esteja em constante crescimento, permanece baixa. Um em cada 10 franceses tem excesso de peso.

Existe uma linha ténue entre ser saudável fazer escolhas que colocam em risco a nossa saúde — e a sopa de alho francês pode ser uma linha que não queremos ultrapassar. Paris até já organizou eventos contra os tamanhos considerados padrão depois de a escritora francesa Gabrielle Deydier ter publicado um livro em 2017, “On Ne Naît Pas Grosse” (que pode ser traduzido como “Não nascemos gordos”), onde descreve a sua experiência de discriminação no trabalho, no sistema de saúde e nas interações quotidianas. 

A França também introduziu legislação em 2017 para ajudar a combater distúrbios alimentares e ideais de beleza irrealistas, proibindo manequins extremamente magras e pouco saudáveis de desfilarem e obrigando a que as fotografias comerciais com corpos modificados através do Photoshop sejam rotulados como tal, com as palavras “foto retocada”.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT