Saúde

Nomofobia, uma condição incapacitante que está a atingir proporções dramáticas

Esquecerem-se do telemóvel ou ficarem incontactáveis provoca ansiedade extrema, angústia e até ataques de pânico a algumas pessoas.
Ficar sem bateria ou sem rede é um problema.

Hoje em dia parece que a nossa vida depende do telemóvel. Não gostamos de nos esquecer dele em casa, nem de ficarmos incontactáveis porque ficámos sem bateria, não temos rede ,ou pior, porque avariou. Quando isto acontece todos ficamos um pouco ansiosos, mas para algumas pessoas pode ser um problema realmente sério. Se já se sentiu assim saiba que há um nome para este fenómeno. Nomofobia.

O termo deriva da expressão em inglês “no mobile phone phobia”, ou seja, fobia de ficar sem telemóvel. Apesar desta designação não ser ainda reconhecida pela comunidade médica, tem sido utilizado para descrever o comportamento de dependência e os sentimentos de angústia e ansiedade que algumas pessoas demonstram quando não têm o smartphone por perto ou existe alguma probabilidade de ficarem incontactáveis.

“É algo que está mais relacionado com um padrão de vício e de insegurança”, revela Catarina Graça, psicóloga e psicoterapeuta da Clínica da Mente. Esta tecnologia agarra as pessoas de uma forma que se pode tornar problemática, ao ponto de se entrar num estado de angústia profunda quando ficam sem acesso a estes dispositivos. “Sentem uma espécie de vazio e de desproteção que geram esses sentimentos desagradáveis”, explica a especialista em psicologia.

A nomofobia não descreve apenas o que experienciam quando estão longe fisicamente dos dispositivos, mas também com o facto de ficarem sem bateria, sem rede, ou seja, incontactáveis. “O medo de não ter outro recurso leva a que as pessoas se sintam inseguras e ansiosas. A angústia surge quando veem telemóvel como companhia. Quando não o têm, sentem que lhes falta algo.”

Saber quando se torna uma dependência

Existem alguns sinais que revelam que podemos estar viciados no smartphone. A vontade incontrolável de verificar constantemente se recebemos alguma mensagem — mesmo sem notificação alguma —, de fazer scroll pelas redes sociais, ou simplesmente de desbloquear e bloquear o ecrã com frequência é um deles. Pode até sentir necessidade de o fazer a horas despropositadas, durante a noite, acabando por ter uma influência nas alterações do padrão do sono.

“Estes já são sinais que podemos estar a desenvolver uma dependência destes dispositivos, ao ponto de vivermos a nossa vida em prol deles”, adianta a psicóloga. E continua: “É normal as pessoas esquecerem-se do telemóvel. Depois, há quem se aperceba e fique bem, e há quem entre completamente pânico e tenha de ir logo a correr buscá-lo”.

Estes comportamentos extremados mostram que alguma coisa não está bem. “Quando os aparelhos prejudicam outras áreas da vida, o mais provável é que sofra de nomofobia”.

O que fazer para o prevenir

Como qualquer vício, também o uso do telemóvel pode ser doseado para evitar que estar longe dele se torne uma fobia. Atualmente, os smartphones já fazem um relatório semanal, ou mensal, do tempo que passamos a utilizá-los. Ao avaliá-lo, podemos perceber se o nosso padrão de utilização é normal ou não. Quando verificamos que estamos a exagerar, devemos tomar algumas medidas. Não tocar no telemóvel pelo menos 30 minutos antes de ir dormir e, ao invés, ler um livro; desligar as notificações também pode ajudar; colocar o telemóvel a carregar longe da cama ou desligá-lo quando se for deitar.

Se não conseguir ter noção que está a desenvolver um medo relacionado com estes aparelhos, o melhor é procurar um especialista. A psicóloga recomenda o agendamento de uma consulta de psicoterapia “para que o terapeuta consiga perceber a que é que esse medo pode estar associado, e desenvolver estratégias para ajudar o paciente”.

Normalmente, o maior receio tem a ver com a possibilidade de acontecer alguma coisa e a pessoa estar sozinha e incontactável. “Acaba por ser um problema geracional, porque os telemóveis só apareceram há um par de anos”, afirma Catarina Graça. Um facto que gera a discussão de outras questões como “quando é que se deve dar um telemóvel a um miúdo?”.

“Não há uma resposta correta”, explica a psicóloga. A decisão tem de ser adaptada à forma de educar de cada família, mas deve sempre começar por se avaliar se há essa necessidade. Quando existe, então, o próximo passo é falar com os mais novos e explicar-lhes os perigos a que podem estar expostos. É importante que se estabeleçam algumas regras sobre a forma como devem utilizá-los para não criarem dependência dos dispositivos. Um exemplo, pode ser definir uma hora limite até quando podem utilizar o telemóvel e desligá-lo à noite.

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