Saúde

Novo coronavírus detetado em morcegos mostra resistência às vacinas atuais

Um estudo recente indica que os vírus que circulam nestes animais poderão entrar em células humanas e escapar aos fármacos.
É muito idêntico ao vírus da Covid-19.

Em maio, o diretor geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deixou o alerta: não conhecíamos todas as mutações do coronavírus e que poderiam existir variantes mais resistentes às vacinas. Um novo estudo publicado esta quinta-feira, 22 de setembro, revela que o que mais se temia aconteceu. Foi encontrada uma variante do vírus que é resistente aos fármacos atuais.

Foram detetados dois novos coronavírus numa população de morcegos-ferradura na Rússia — de linhagens distintas do SARS-CoV-1 original de 2003, e do SARS-CoV-2, responsável pela atual pandemia. Após a sequenciação dos mesmos, os cientistas descobriram que um deles é resistente aos anticorpos das inoculações que têm sido administradas nos últimos dois anos.

“Não queremos assustar ninguém e dizer que este é um vírus completamente resistente à vacina”, afirmou Michael Letko, professor assistente na Escola Paul Allen de Saúde Pública da universidade do estado de Washington (nos EUA) e responsável pelo estudo. “Mas é preocupante que existam vírus em circulação na natureza que têm estas propriedades. Podem ligar-se aos recetores de células humanas e não são neutralizados pelas respostas vacinais atuais”, explicou à revista “Time”.

Uma das principais preocupações dos especialistas que estudam o comportamento dos coronavírus noutros mamíferos, especialmente os selvagens, é perceberem se estas variantes se combinam com a do SARS-CoV-2 e, se isso gera novas mutações, mais perigosas que as existentes. O autor do estudo publicado na revista “PLoS Pathogens” concluiu: “Estes vírus estão realmente espalhados por todo o lado, e vão continuar a ser um problema para os seres humanos em geral”.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT