Saúde

Novo estudo: as mulheres que fazem mais sexo têm cérebros mais desenvolvidos

Investigadores descobriram qual é a zona cerebral que é estimulada através da masturbação e das relações sexuais.
Quanto mais sexo, maior a região estimulada.

Já há evidências de que o estímulo cerebral causado pela masturbação é igual tanto nos homens, como nas mulheres. Um novo estudo científico publicado na segunda-feira, 27 de dezembro, na revista “JNeurosci”, identificou a região cerebral conectada com a masturbação feminina, e descobriu que estava mais desenvolvida em mulheres que faziam mais sexo. 

“Foi estudado como é que os genitais femininos estão representados no córtex somatossensorial humano e se tem alguma capacidade de mudança em relação à experiência ou ao uso”, disse à AFP, citada no jornal “New York Post”, a co-autora Christine Heim, professora de psicologia clínica no Hospital Universitário de Charite, em Berlim.

O córtex somatossensorial recebe e processa informação sensorial de todo o corpo. Cada parte do corpo corresponde a uma área diferente do córtex, formando um mapa representativo. Mas, até agora, a parte do mapa que corresponde aos genitais femininos gerava algum debate.

A razão pela qual se desconhecia o sítio exato devia-se à imprecisão das técnicas de estimulação. Por exemplo, durante a masturbação ou a estimulação genital feita pelo parceiro, outras partes do corpo eram também tocadas, o que acabava por estimular outras zonas cerebrais. Esse processo também desencadeava excitação, estimulando várias áreas ao mesmo tempo, o que esbatia os resultados.

A investigação envolveu a estimulação do clitóris de 20 mulheres, entre os 18 e 45 anos de idade, enquanto os seus cérebros eram estudados, utilizando uma máquina de ressonância magnética (fMRI). Para a estimulação foi usado um pequeno objeto redondo, por cima da roupa interior ao nível do clitóris. O dispositivo foi vibrado oito vezes, durante dez segundos de cada vez, intercalados com dez segundos de descanso. 

Os resultados das imagens do cérebro confirmaram que o córtex somatossensorial representava os genitais femininos junto à zona correspondente às ancas — tal como acontece nos homens —, mas a localização exata varia para cada mulher testada.

Os investigadores quiseram então estudar se esta área tinha características diferentes, consoante a atividade sexual. As 20 mulheres foram questionadas sobre a frequência com que tiveram relações sexuais durante esse ano, bem como desde o início da sua vida sexual. “Encontrámos uma associação entre a frequência das relações sexuais e a espessura do campo genital”, disse Christine Heim. Ou seja, quanto mais sexo, maior é a região.

Heim já tinha demonstrado, num estudo de 2013, que as pessoas que sofreram uma experiência traumática de violência sexual, tinham uma diminuição das áreas do cérebro dedicadas aos órgãos genitais. “Especulámos na altura que esta poderia ser a resposta do cérebro para limitar a perceção do abuso”, disse.

Os investigadores esclarecem que o artigo não responde a questões como “se ter uma área maior dedicada à estimulação genital torna as mulheres mais sensíveis ao toque”, por exemplo. E também não nos diz se ter uma região cerebral mais desenvolvida dedicada ao toque genital provoca maior desejo sexual; ou se o facto de ter mais relações sexuais aumenta essa região cerebral.

Porém, estes resultados poderão ser usados para tratamentos dirigidos a pessoas que tenham sofrido violência doméstica ou que tenham disfunções sexuais. A investigadora espera que esta investigação ajude a melhorar futuras terapias para ajudar vítimas de abusos sexuais.

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