Saúde

Novo medicamento milagroso reduziu o declínio mental de doentes com Alzheimer

No entanto, a toma do Lecanemab provocou a morte de dois pacientes, devido a hemorragias cerebrais que se desenvolveram.
É uma esperança para milhões de pessoas.

“Finalmente ganhámos alguma força nesta doença terrível”. É assim que Rob Howard, professor da University College, descreve o Lecanemab, um medicamento experimental contra a doença de Alzheimer que conseguiu atrasar o declínio cognitivo dos pacientes, segundo os resultados de ensaios clínicos divulgados esta quarta-feira, 30 de novembro.

“Parece importante e histórico. Isto vai encorajar-nos a sentir um otimismo real de que, um dia, a demência poderá ser derrotada e até curada”, conta à Sky News. O Lecanemab foi criado em conjunto pelas farmacêuticas Biogen, dos Estados Unidos, e a Eisai, do Japão. O ensaio clínico contou com cerca de 1.800 doentes e foi realizado ao longo de um ano e meio.

Os resultados finais mostraram que o medicamento reduz a velocidade do declínio mental dos doentes que sofrem com Alzheimer. Este abrandamento é de 23 por cento quando comparado com aqueles que receberam o placebo. A diminuição foi considerada “modesta” mas, mesmo assim, é “histórica” porque, até hoje, as investigações para curar, retardar ou tratar a doença falharam.

Existem, contudo, alguns aspetos negativos. O Lecanemab foi associado a um edema cerebral perigoso em 13 por cento dos doentes. Alguns também sofreram hemorragias cerebrais. Cinco deles tiveram cinco macro-hemorragias e 14 por cento micro-hemorragias. Estes sintomas estiveram associados à morte de dois pacientes que receberam o medicamento.

“Todos estes medicamentos que se focam na redução de beta-amilóide envolvem um risco aumentado de hemorragia cerebral”, conta Ronald Peterson, da Mayo Clinic de Rochester (Minnsota) à mesma publicação. E acrescenta: “Acho que os principais resultados, os resultados secundários e a redução de beta-amilóide são muito impressionantes”.

No início do próximo ano, a Food and Drug Administration (FDA), o regulador norte-americano de medicamentos, deverá tomar uma decisão sobre o fármaco. Leia também este artigo da NiT sobre a primeira aldeia segura do mundo para doentes com Alzheimer.

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