Saúde

Número total de infetados com varíola dos macacos sobe para 58

A maioria dos casos foram identificados em Lisboa e Vale do Tejo, mas também existem registos nas regiões Norte e Algarve.
Outras amostras estão em análise.

Esta quinta-feira, 26 de maio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) comunicou o registo de mais nove casos de infeção humana pelo vírus Monkeypox em Portugal. Ao todo, já são 58 as infeções confirmadas no País. Os pacientes estão em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis e em ambulatório. Aguardam-se os resultados laboratoriais de outras amostras.

“Todas as infeções confirmadas são em homens entre os 23 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, adiantou a entidade em comunicado. A maior parte dos casos identificados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) localizam-se em Lisboa e Vale do Tejo, mas também existem nas regiões Norte e Algarve, acrescentou.

No momento, ocorrem “inquéritos epidemiológicos dos casos suspeitos que vão sendo detetados, com o objetivo de identificar cadeias de transmissão, potenciais novos casos, respetivos contactos e ainda eventuais locais de exposição”.

Portugal está ainda a “encetar diligências no sentido de constituir uma reserva nacional de vacinas, através do mecanismo europeu. De igual forma, através de especialistas da Comissão Técnica de Vacinação da DGS, está a ser estudada a eventual necessidade de administrar a vacina a contactos de casos confirmados e a profissionais de saúde, no contexto deste surto”.

Na mesma nota, o organismo relembrou também que “os indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, devem procurar aconselhamento clínico”.

Em caso de sintomas, é importante “abster-se de contacto físico direto com outras pessoas e de partilhar vestuário, toalhas, lençóis e objetos pessoais enquanto estiverem presentes as lesões cutâneas, em qualquer estádio, ou outros sintomas”. Aos contactos de risco recomenda-se o isolamento por 21 dias.

varíola dos macacos, como é conhecida, é uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da doença é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar entre 5 e 21.

Esta enfermidade é, em muitos aspetos, semelhante à varíola humana erradicada em 1979 — mas menos transmissível e menos mortal. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a interrupção da vacinação contra a varíola humana em 1980 como um dos motivos que justificam o surto de infeções que se tem vindo a registar em muitos países.

Varíola dos macacos no mundo

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, citado pela “Euronews”, o número de casos confirmados a nível mundial já ultrapassa os 230. Dividem-se por 19 países, sendo a maioria na Europa. Só o Reino Unido, que reportou as primeiras infeções no início de maio, identificou mais de 70 contágios. Espanha tem mais de 50.

Na quarta-feira, 25 de maio, República Checa, Áustria, Eslovénia e Emirados Árabes Unidos comunicaram os primeiros casos identificados.

Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Suécia, Suíça, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Israel são os outros países afetados até agora pelo surto.

Leia ainda sobre a descoberta, feita em Portugal, que pode ser fundamental para perceber a origem do surto e as causas da rápida disseminação da doença. O artigo sobre as potenciais vacinas que a farmacêutica Moderna está a testar em estudos pré-clínicos também lhe pode interessar.

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