Frederico Catalão nunca imaginou que a Maratona de Chicago seria muito mais do que um desafio desportivo. Quando atravessar a linha de partida da prova norte-americana, a 11 de outubro, não estará apenas a tentar bater o seu recorde pessoal. Cada quilómetro será também uma forma de angariar fundos para a investigação da diabetes tipo 1, doença com a qual o filho Pedro, de oito anos, vive desde janeiro de 2024.
O médico dentista, de 37 anos, natural de Cascais, é casado, pai de quatro filhos e pratica triatlo desde 2023. Depois de completar dois IRONMAN e três maratonas — duas em Sevilha e uma no Porto — conseguiu um lugar numa das mais prestigiadas corridas do mundo. Decidiu então transformar esse objetivo desportivo numa campanha solidária a favor da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).
“Tinha conseguido entrar na Maratona de Chicago e percebi que podia aproveitar a visibilidade da prova para fazer algo maior. Como o Pedro é acompanhado pela APDP, fez todo o sentido associar esta corrida a uma campanha de angariação de fundos para a investigação científica”, conta à NiT.
A campanha chama-se “Diabeat – Bet I’ll Beat It!” e pretende reunir 50 mil euros, valor que Frederico espera ver aplicado em projetos de investigação focados na descoberta de uma cura para a diabetes tipo 1.
“Nos últimos anos houve uma enorme evolução na monitorização da glicemia e hoje já existem sistemas muito fiáveis. Agora gostava que este dinheiro ajudasse a financiar estudos que procurem uma cura. Esse é o grande sonho de todas as famílias que vivem com esta doença”, explica.

O diagnóstico de Pedro mudou por completo a rotina da família. Foi a 8 de janeiro de 2024, quando tinha seis anos, que descobriram que sofria de diabetes tipo 1. Desde então, a monitorização constante da glicose, a administração de insulina e a gestão diária da doença passaram a fazer parte do dia a dia.
“O Pedro encara tudo isto com uma maturidade impressionante. Sabe que é muito bem acompanhado e fica entusiasmado por perceber que esta campanha pode ajudar outras crianças. Falamos muitas vezes sobre a esperança de um dia existir uma cura”, conta à NiT.
Além da angariação de fundos, Frederico quer contribuir para aumentar a literacia sobre uma doença que continua a ser pouco conhecida por muitas pessoas. “Gostava que esta iniciativa ajudasse também a explicar melhor o que é a diabetes tipo 1 e os desafios que estas famílias enfrentam todos os dias.”
Os treinos
Para chegar em condições à linha de partida da Maratona de Chicago, mantém uma rotina de treino intensa. Corre cerca de 70 quilómetros por semana, continua a treinar bicicleta e natação para as provas de triatlo em que participa e dedica, no total, cerca de 13 horas semanais à preparação física.
O objetivo desportivo também está bem definido. Depois de ter concluído as maratonas de Sevilha, em 2024 e 2025, e a do Porto, em 2026, com um melhor tempo de 3h03, espera agora baixar pela primeira vez a barreira das três horas.
“Gostava muito de terminar a maratona abaixo das três horas. Mas, acima disso, quero que esta corrida sirva para mobilizar pessoas. Estou a desafiar particulares e empresas a contribuírem para esta causa, porque qualquer donativo pode fazer a diferença.”
A campanha decorre através da plataforma GoFundMe e a totalidade do dinheiro angariado será entregue à APDP para apoiar projetos de investigação científica.
Segundo Raquel Coelho, coordenadora médica do Departamento de Crianças e Jovens da associação, “iniciativas como esta são fundamentais para o trabalho que desenvolvemos há décadas para melhorar a vida das pessoas com diabetes em Portugal”. A responsável acrescenta que associar “um desafio pessoal tão exigente como a Maratona de Chicago a uma causa coletiva é um exemplo inspirador de como cada um de nós pode contribuir para o desenvolvimento de mais e melhor investigação”, revela a médica.
Para Frederico, porém, a corrida tem um significado muito mais pessoal. A meta não termina na linha de chegada em Chicago. O verdadeiro objetivo é ajudar a aproximar o dia em que possa dizer ao filho que a diabetes tipo 1 deixou de ser uma doença sem cura.
Pode seguir o percurso de Frederico na sua página de Instagram.
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