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O “tipo gordo” amigo de Timothée Chalamet que dominou a red carpet nos Óscares

Luke Manley tornou-se uma sensação na Internet em 2021, que lhe valeu entrada para o elenco do filme "Marty Supreme".

“O Trae Young [jogador de basquetebol] parece o pénis do meu pai.” Foi esta descrição insólita que acabou por levar Luke Manley a um dos maiores filmes de 2025. Em “Marty Supreme”, o norte-americano interpreta Dion, o melhor amigo do personagem de Timothée Chalamet — e até teve direito a um convite para a cerimónia dos Óscares do passado domingo, 15 de março. Aliás, foi mesmo um dos nomes mais comentados na red carpet.

O momento viral que mudou por completo a sua vida aconteceu em 2021, após um jogo entre os Knicks, a equipa favorita do ator, e os Hawks. Manley estava com amigos a ver a partida num bar perto do Madison Square Garden e quando os Knicks perderam, saiu bêbedo para a rua.

Foi ao lado da arena de Nova Iorque que encontrou o Sidetalk, uma espécie de programa viral no Instagram onde quem está a passar pode falar para as redes sociais. “Agarrei no microfone e disse a coisa mais bizarra que me veio à cabeça. todos atrás da câmara ficaram tipo: ‘Que raio é que este tipo acabou de dizer?'”, contou ao site “Casting Networks”.

Três anos depois, Josh Safdie, o realizador de “Marty Supreme” deparou-se com o vídeo no seu feed. Pesquisou por Luke e reparou que o seu nome online era Fatrick Ewing (um trocadilho com a palavra “fat”, que significa gordo em inglês, e Patrick Ewing, um jogador de basquetebol).

“Acho que começou a desenvolver a personagem do Dion depois de ver aquilo. A diretora de casting, Jennifer Venditti, entrou em contacto comigo para saber se eu estaria interessado em fazer uma audição para o filme“, recorda Manley. O sim foi imediato.

“Marty Supreme” foi o primeiro filme do norte-americano de 33 anos. Para se preparar para o papel, decidiu criar um passado para Dion, com a ajuda de Josh Safdie e Roonie Bronstein — que ajudou a escrever o guião.

Embora tenha sido a obra nomeada a nove Óscares a catapultá-lo para a fama, Luke Manley já era um nome conhecido entre muitos norte-americanos — e não só pelo vídeo viral de 2021. No seguimento daquele boom, foi convidado de vários podcasts e canais de YouTube, para falar sobre basquetebol e a vida em Nova Iorque (onde nasceu e cresceu).

Porém, foi mesmo a super produção ao lado de Timothée Chalamet que o tornou uma referência mundial. Antes de aparecer na obra, e paralelamente às presenças noutros conteúdos digitais, Luke Manley não era um ator profissional. Trabalhava, sim, como técnico numa empresa de telecomunicações.

Com a fama chegaram também as críticas. No caso de Manley, sobretudo têm sido dirigidas sobretudo ao seu corpo. Embora nunca tenha revelado o peso, sabe-se que sofre de obesidade mórbida. Ainda assim, encara os haters com humor, algo que sempre marcou a sua personalidade online.

Durante uma sessão de perguntas no Reddit, por exemplo, onde falou com os fãs sobre a participação em “Marty Supreme”, revelou que uma das maiores dificuldades das gravações estava ligada ao seu físico. “Como um homem muito gordo, estava sempre muito calor”, escreveu. No entanto, teve sempre o apoio da equipa. “Sempre que precisava de parar, parava. Também gastaram muitas garrafas de água comigo.”

 
 
 
 
 
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Na verdade, o peso impede-o de ter uma vida normal e, acima de tudo, de arranjar a namorada. Em 2022, o ator falou publicamente sobre a relação com o próprio corpo. no podcast “Humans of New York”, que conta histórias aleatórias de pessoas da cidade norte-americana. Manley confessou que sempre foi o “amigo gordo engraçado”. Essa falta de confiança fez com que nunca tivesse tido uma relação.

“Não culpo as raparigas. Percebo-as completamente. Mas eu sempre quis ter uma mulher e filhos. À medida que envelheço, este sonho torna-se ainda mais forte. Mas só sou bom em ser o amigo gordo engraçado”, comentou.

Fazer as pessoas rir é, para ele, “a melhor sensação do mundo” e algo que procura desde a escola primária. “Com o passar do tempo, todas as minhas piadas passaram a ser sobre mim próprio. Quando chegava a hora de comer o bolo numa festa de aniversário, fazia piadas sobre o tamanho da minha fatia.”

Sempre que ia para piscina com os amigos, por exemplo, nunca tirava a T-shirt. “Toda a gente se ria e isso sabia bem, mas, ao mesmo tempo, era um pouco triste”, recorda.

Manley admitiu que não se lembrava sequer de alguma vez ter tirado a camisola à frente de outras pessoas. Hoje arrepende-se disso. “Era a minha forma de proteger. Gozava comigo primeiro para que ninguém o fizesse de seguida.”

As brincadeiras constantes, porém, fizeram com que fosse descrito simplesmente como “o tipo gordo”. Hoje em dia, vê-se a si próprio como o “idiota balofo e engraçado” e acredita que é assim que os outros o encaram. Apesar de se sentir mais confiante, sentar-se numa cadeira ou entrar na farmácia são gatilhos suficientes para ter um ataque de pânico.

“A minha terapeuta diz-me: ‘és uma boa pessoa, és simpático, quem quer saber?’ E ela tem razão, eu percebo. Mas também penso que, se não fosse gordo, provavelmente teria uma namorada”, afirmou. “Mas estou a tentar gostar mais de mim próprio. Todos os dias trabalho nisso.

Os anos passados na psicóloga acabaram por ser frutíferos. Embora não goste do que vê ao espelho, admite que já não se vê apenas como um homem gordo. “Sou um tipo simpático e engraçado que adora os amigos e a família. Não sou o Luke gordo. Sou apenas o Luke que existia antes de decidir fazer bullying comigo próprio.”

A história de Manley acabou por conquistar milhares de pessoas. Em apenas sete horas, o post do “Humans of New York” recebeu 500 mil gostos e os comentários encheram-se de mensagens de apoio — algumas de artistas e atores.

“Obrigada por falares sobre como te sentes, Luke, e por trabalhares para te amares como todos nós te amamos. Continua”, escreveu a colega Jennifer Garner. “Adoro-te, Lukey. Estou muito feliz por te ter na minha vida. Todos estamos a tentar ser melhores e alguns começam mais tarde”, acrescentou o rapper Kosha Dillz.

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