Saúde

O País uniu-se e conseguiu: Constança já tem 192 mil euros para o medicamento

Em menos de 48 horas, a jovem de 24 anos conseguiu angariar dinheiro para o fármaco que pode garantir a sua vida.
Tem 24 anos.

Esta sexta-feira, 5 de março, ficou marcada pela história de Constança Braddell. “Não quero morrer, quero viver. Nunca pensei chegar ao ponto de ter de escrever sobre a iminência da minha morte”, foi assim que a jovem de 24 anos começou o seu apelo no Instagram, revelando que sofre de fibrose quística e que está ligada a oxigénio todos os dias.

Naquele momento, o objetivo era apenas partilhar a sua situação o máximo possível. Seguiu-se uma campanha de angariação de fundos que, em menos de 48 horas, excedeu o valor necessário.

Como a jovem explicou, existe um fármaco, o Kaftrio, que pode prolongar a sua vida. “Este medicamento não é a cura mas tem a capacidade de prolongar a vida de um paciente com fibrose quística. Pode prolongar a minha vida. Eu posso viver, voltar a viver pois a situação moribunda na qual me encontro é tudo menos o que se espera para uma jovem de 24 anos com tantos sonhos adiados”, continuou.

Como o medicamento não está disponível em Portugal, a jovem começou a tal angariação de fundos no GoFundMe. Depois de mais de 13 mil donativos, Constança tem já mais de 195 mil euros — o valor que precisava era 192 mil euros. Cada caixa custa cerca de 15.700€ e este é o valor de medicação para um ano (12 caixas).

Caso o Infarmed atue com rapidez e não seja necessário utilizar todo o dinheiro angariado para o tratamento, o restante valor será doado à Associação Nacional de fibrose quística em Portugal”, pode ler-se.

Porém, também na sexta-feira, em comunicado, o Infarmed informou que está a acompanhar este caso, mas que, até àquele momento, não tinha sido submetido um pedido de Autorização de Utilização Especial para a doente.

“No caso concreto deste medicamento, e enquanto decorre a sua avaliação, existe a possibilidade de acesso ao medicamento, da iniciativa do hospital, através de Autorização de Utilização Especial (AUE), ao abrigo de um Programa de Acesso Precoce, no caso deste medicamento aprovado em 27 de novembro de 2020. Os pedidos de AUE são fundamentados pelo hospital requerente, e incluem informação clínica detalhada do doente para o qual é solicitado o tratamento. Essa informação é depois avaliada caso a caso por peritos clínicos (médicos), pertencentes à Comissão de Avaliação de Tecnologias de Saúde do Infarmed”, explica a  Autoridade Nacional do Medicamento.

Nesta nota, o Infarmed mostrou-se disponível para analisar o processo de forma a disponibilizar o medicamento à doente “no mais curto espaço de tempo”, mas disse que tal só será possível quando o pedido for submetido.

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