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Saúde

O que podemos aprender com Kitava, a ilha onde ninguém tem acne

Não se trata de uma questão genética, mas sim da alimentação que a população segue.

Atualmente, milhões de pessoas gastam fortunas em cremes, tratamentos e rotinas intermináveis de skincare para garantir uma pele lisa, sem marcas e sem borbulhas. Há, no entanto, um lugar no mundo onde esse problema praticamente não existe. Chama-se Kitava — uma pequena ilha remota na Papua-Nova Guiné — que ficou famosa por um detalhe surpreendente: os seus habitantes quase não têm acne.

Embora seja associada à fase da adolescência, a condição muitas vezes prolonga-se para idade adulta. Na verdade, estima-se que, no Ocidente, entre 75 e 95 por cento da população sofra com esta questão em algum momento da vida.

Daí que seja curioso que naquela pequena ilha, de 15 quilómetros quadrados, na Papua-Nova Guiné as borbulhas serem inexistentes. Em 1990, o dermatologista Staffan Lindeburg viajou até Kitava com o objetivo de comparar as taxas de doenças cardiovasculares, diabetes, AVC, demência, cancro e acne com as da Europa e América do Norte.

Durante sete semanas, o especialista visitou todas as 494 casas da regiões e examinou 1.200 indivíduos com 10 ou mais anos de idade. No final, comprovou que os AVC eram praticamente inexistentes. A desnutrição, a hipertensão e o excesso de peso também eram raros. A maioria das mortes precoces eram causadas por cuidados médicos rudimentares: feridas infetadas, fraturas ou complicações na gravidez.

Além destes pontos, não foi detetada uma única borbulha nos habitantes da região. O estudo incluía também 300 jovens entre os 15 e os 25 anos, uma fase típica para o aparecimento de acne. “Não foi observada uma única pápula, pústula ou comedão aberto em toda a população analisada. Embora não tenham sido reportados comedões fechados, é possível que existissem, mas não tenham sido detetados”, disse o médico, aqui citado pela revista “MD Acne”.

As causas do fenómeno

Lindeburg atribuiu este padrão ao estilo de vida, em especial aos hábitos alimentares dos habitantes de Kitava, e não a uma genética “milagrosa”. “É improvável que a ausência quase total de acne se deva exclusivamente a uma resistência genética, uma vez que outros povos indígenas da América do Sul e ilhéus do Pacífico, com origens étnicas semelhantes às dos habitantes de Kitava, mas que vivem em contextos mais ocidentalizados, apresentam taxas de acne consideravelmente mais elevadas.”

A dieta da ilha é praticamente isenta de influências ocidentais e baseia-se em alimentos naturais frescos, como vegetais, fruta, coco e peixe e rica em tubérculos (como inhame e batata-doce). Não há produtos processados nem açúcar refinado, sendo também livre de café, chá, álcool e produtos lácteos.

Porém, se pensa adotar este plano alimentar, saiba que o ideal é procurar sempre a ajuda de um especialista antes, pois poderá não ser adequada ao estilo de vida que segue. Trata-se de uma dieta com baixo índice glicémico, ou seja, são consumidos alimentos que libertam açúcar lentamente no organismo, como batata-doce, pão de centeio ou mirtilos. É também uma alimentação rica em ómega-3, como peixe e ovos.

Carregue na galeria para descobrir cinco cremes que podem ajudar a combater problemas de acne.

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