Saúde

O que se sabe sobre a doença agressiva que vitimou Mariama Barbosa

O cancro no estômago é mais comum em Portugal do que noutros países graças aos nossos hábitos alimentares.
A apresentadora sofria de cancro no estômago.

Cinco meses depois de ter tornado público que tinha cancro no estômago, Mariama Barbosa perdeu a luta contra a doença. A especialista em moda e apresentadora de televisão morreu na passada sexta-feira, 29 de julho, em casa, aos 47 anos.

O cancro do estômago pode ser difícil de detetar num estado inicial. Geralmente, não há sintomas específicos nos estadios iniciais que levem os pacientes a procurar logo ajuda e, em muitos casos, antes de ser diagnosticado, o tumor já está metastizado. No caso de Mariama Barbosa, quando o cancro foi detetado, já pouco ou nada haveria a fazer. “Soube-se logo que era uma coisa muito difícil. Já havia metástases espalhadas pelo corpo (…) O grande choque foi a rapidez com que tudo aconteceu e a sensação de que pode acontecer a qualquer um de nós”, contou um amigo próximo de Mariama à NiT.

“Os cancros do aparelho digestivo são das doenças mais agressivas em Portugal, porque está relacionado com os hábitos alimentares e de vida”, começa por explicar Daniela Macedo, oncologista no Hospital Lusíadas, em Lisboa. Segundo a especialista, o consumo de carnes fumadas, de peixe cru, álcool ou tabaco aliados à presença de uma bactéria que todos temos, a Helicobacter Pylori — causadora de inflamação (gastrite) e úlceras no estômago — são considerados fatores de risco, que acabam por influenciar o desenvolvimento de células cancerígenas.

Os sintomas podem não ser específicos, alerta a médica. No entanto, devemos ficar atentos a dores de estômago, azia, refluxo ou outro mal estar que se prolongue durante vários dias. “A falta de apetite constante, a perda de peso abrupta sem motivo aparente e os vómitos são também sinais de doença gastrointestinal”, garante a médica. Perante estes sinais localizados e persistentes, Daniela Macedo aconselha a procurar conselhos de especialistas, uma vez que o comum é procurar ajuda já demasiado tarde.

Do diagnóstico ao tratamento

Segundo fontes próximas, o diagnóstico, no caso de Mariama, surgiu de forma inesperada e surpreendente. “Ela andava a queixar-se de algumas dores de estômago, de mal-estar abdominal”, contou à NiT um amigo da apresentadora. “Dizíamos que podia ser isto, ou aquilo, aquelas coisas normais. Aos 47, ninguém liga muito a isso. Diz-se: ‘sim, tenho que ir ver isto’. Depois foi tudo muito rápido.”

O mais comum, segundo Daniela Macedo, depois de queixas relacionadas com o aparelho digestivo, é fazer-se uma endoscopia com biopsia, e umas análises para avaliar se existe ou não anemia — que analisa a hipótese de sangramento no tubo digestivo. “Às vezes alguns doentes também detetam que as fezes têm um tom muito escuro, e com um odor mais intenso, devido à presença de sangue.”

“Caso se confirme que existem massas, ou alterações, passamos para um TAC, normalmente com contraste para perceber se existem metáteses”, refere a médica. E continua: “Se for apenas um tumor, localizado, normalmente é considerado estadio 1 ou 2, podemos avançar logo com cirurgia. Nos casos mais graves, de estadio 2 alto, ou 3, podemos delinear um plano que inclua, em primeiro lugar, quimioterapia, depois a cirurgia de remoção e no final mais quimioterapia, mas de prevenção, para evitar reincidências”, explica.

Os ciclos de tratamentos demoram cerca de seis meses, porém, nos três anos seguintes tem de haver uma vigilância apertada, uma vez que o cancro pode regressar. Para isso são feitas análises e controlo através da endoscopia.

Em casos mais avançados, em estadios 4, “infelizmente já não vamos ter uma atitude curativa, mas iremos optar por tratamentos paliativos”, refere Daniela Macedo. “Nestes casos o primeiro passo é a quimioterapia, que podemos juntar a imunoterapia para estimular o sistema imunitário”. Os doentes diagnosticados nesta altura têm uma esperança de vida de um ano e meio a dois anos.

Há formas de prevenir?

A prevenção do cancro do estômago passa pela prática de hábitos saudáveis, como manter uma dieta equilibrada, rica em peixe, aves, fruta e vegetais, e livre de alimentos fumados, salgados ou conservados em vinagre, bem como carnes gordas e seus derivados. Abandonar o consumo de tabaco e álcool e fazer exercício regular de forma a controlar o peso são passos importantes.

Nalguns casos, para se evitar futuras infeções, pode-se também retirar a bactéria Helicobacter Pylori.

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