Saúde

O seu corpo pode ter uma inflamação crónica (mesmo sem se aperceber)

Há quem se habitue a viver com os sintomas desta condição. A especialista Teresa Branco explicou à NiT que "é um erro".
Reduzir a inflamação para perder peso.

A inflamação é uma reação natural e muito importante do nosso corpo às agressões do dia a dia, como vírus ou bactérias. As situações de inflamação crónica podem surgir quando o nosso sistema imunitário não tem capacidade para vencer estas ameaças quotidianas.

“Este é um tema muito abordado nestes últimos tempos porque, por um lado existe a noção de que a inflamação crónica está na base do desenvolvimento de várias doenças — como o cancro, doença mental ou cardiovascular e —, por outro lado, está também relacionado com o controlo do peso”, explica à NiT Teresa Branco, de 52 anos. A doutora e fisiologista em gestão do peso é autora do novo livro “Anti Inflamação: Reduzir a Inflamação Para Perder Peso e Ganhar Saúde”.

Se o nosso organismo estiver com um grau de inflamação permanente, ou seja, crónico, tem mais probabilidade de adoecer. E, neste caso, a alimentação pode desempenhar um papel essencial. Teresa explica que o organismo inflamado tem mais dificuldade em manter a boa forma e, se tiver quilos em excesso, tende a inflamar mais. O risco? Entrar num círculo vicioso do qual é difícil sair.

O que poder levar o nosso corpo a desenvolver uma inflamação crónica? Todos os nossos comportamentos quotidianos podem agravar um processo inflamatório, responde Teresa. Desde aquilo que comemos, ao sedentarismo, ao stress ou ao tabagismo e alcoolismo, aos quais se juntam fatores externos, como a poluição.

O que comemos conta

Quais os alimentos que podem aumentar a inflamação crónica e que devemos evitar consumir em demasia? “Os muito processados, para algumas pessoas os lácteos, o glúten e todos aqueles a que as pessoas tenham algum tipo de intolerância alimentar”, afirma. Segundo a fisiologista, as agressões que sofremos produzem uma resposta inflamatória, que não sendo tratada, acaba por se tornar crónica. E está na base de muitas doenças, para além de problemas cardíacos, inchaço, aumento de peso e desequilíbrios gastrointestinais. 

A inflamação é muito particular, ou seja, nem todas as pessoas são intolerantes nem desenvolvem um processo mais inflamatório com a maioria dos alimentos. Existem alguns aos quais umas pessoas são mais intolerantes do que outras, mas de uma maneira geral, a comida muito processada é que provoca maior inflamação no nosso corpo”, explica Teresa Branco. 

Dores articulares e de cabeça, dificuldade em perder os quilos a mais, insónias, inchaço e problemas intestinais são sintomas que não devemos desvalorizar porque podem ser sinais de que sofremos de inflamação crónica. Se assim for, é importante procurar ajuda profissional e, eventualmente, fazer análises específicas.

Um dos parâmetros mais importantes que pode denunciar a presença inflamação crónica é o grau de resistência à insulina. Outros valores a ter em atenção incluem a velocidade de sedimentação do sangue, o ácido úrico, o colesterol e ainda os triglicéridos elevados. Excesso de peso e perímetro abdominal aumentado também podem ser sinónimos de inflamação crónica.

“O processo anti inflamatório é mais demorado que o de perda de peso”. Como explica Teresa, é bastante lento porque primeiro é necessário identificar as intolerâncias alimentares, corrigir hábitos, analisar sintomas e manter uma rotina até conseguir obter resultados satisfatórios. “Reduzir os quilos a mais já ajuda bastante na diminuição da inflamação”, adianta a especialista.

“Primeiro, os profissionais de saúde fazem um diagnóstico para determinar o grau de inflamação. Depois, considerando uma série de critérios não só fisiológicos mas incluem também as características emocionais da pessoa, é estabelecido o protocolo anti inflamatório mais adequado a cada um”, descreve Teresa. 

Apesar dos sintomas serem comuns, são diagnosticadas poucas inflamações crónicas. A fisiologista explica que isso se deve ao facto de muitas pessoas se habituarem a viver com esta condição: “Com dores de cabeça, excesso de peso, sem o intestino a trabalhar como deveria, sem dormir e sem energia”.

Para pôr um fim a este desconforto constante é preciso identificar a raiz da inflamação crónica. No entanto, na maioria dos casos, pode ser também uma questão de ingerir ou não alimentos altamente inflamatórios, como o açúcar, os lácteos ou o glúten.

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