Saúde

O stress pode dar cabelos brancos (mas o problema também é reversível)

Já sabíamos que a cor podia refletir o stress. Mas um estudo novo defende que mudança não tem de ser permanente.
Um estudo inovador.

Muitos anos antes de chegarmos a idades mais avançadas, somos surpreendidos com cabelos brancos. A cor em si não tem de ser um drama, que a beleza, felizmente, chega em muitas cores e formas. Mas o caso pode ser diferente quando há uma razão menos positiva para os tais cabelos brancos.

Maria Antonieta, a famosa rainha do final da monarquia em França, é um caso curioso. Há uma lenda que conta que a monarca viu todos os seus cabelos virarem brancos, antes da sua execução a 16 de outubro de 1793.

A noção de que o cabelo de uma pessoa pode ficar grisalho ou cair de repente, como que da noite para o dia, é até conhecida como “síndrome de Maria Antonieta”. A lenda é curiosa mas é importante perceber o seguinte: é mito.

A razão é que cabelo que já cresceu a partir de folículo capilar não muda completamente de cor no espaço de uma noite. É, no entanto, possível termos cabelos grisalhos a surgirem antes do que imaginávamos, fruto do stress (e não é preciso a eminência de sermos executados na guilhotina para estarmos sob stress).

Este facto de alturas de stress e ansiedade terem impacto no nosso cabelo não é especialmente novidade e é algo a que a ciência tem estado atenta. O que é novidade é um estudo recente que refere que essa mudança poderá ser reversível.

Isso mesmo sugere um estudo da faculdade médica da Universidade de Columbia, nos EUA. O trabalho foi publicado a 22 de junho na “eLife” e, como destaca o “Science Daily”, é o primeiro a oferecer evidências quantitativas ligando o stress psicológico ao cabelo grisalho nas pessoas.

Embora possa parecer intuitivo que o stress acelere um processo que chegaria naturalmente com o envelhecimento, os investigadores admitiram a sua surpresa ao descobrir que a cor do cabelo pode ser restaurada quando a tal fonte de stress na origem da mudança é eliminada.

Martin Picard, académico que liderou o estudo, realça que os dados que recolheram referentes ao cabelo se somam “a um crescente corpo de evidências demonstrando que o envelhecimento humano não é um processo biológico linear e rígido”.

Isto não quer dizer que não envelhecemos. Essa inevitabilidade mantém-se, a questão é que pode haver variáveis que influenciam certas questões associadas ao envelhecimento. E o stress e os cabelos brancos serão um desses casos. “Os nossos dados sugerem que [o processo], pelo menos em parte, pode ser interrompido ou mesmo temporariamente revertido.”

À vista humana, esta mudança na cor capilar é o tipo de mudança que só se nota quando é especialmente visível. O que a equipa de Picard fez foi fazer uma análise detalhada.

Ayelet Rosenberg, uma das autoras do estudo e estudante que integra o laboratório de Picard, desenvolveu um novo método para capturar imagens de alta resolução de minúsculas partes de cabelos humanos, para quantificar a extensão da perda de pigmento (envelhecimento) em cada uma das partes. Para se perceber a dimensão, cada uma das fatias tinha cerca de 1/20 de milímetro de largura, o que representa cerca de uma hora de crescimento do cabelo, explica a mesma publicação.

14 pessoas participaram no estudo e viram o seu cabelo ser analisado ao ínfimo detalhe. Foram avaliados e acompanhados em diferentes semanas, sendo que o calendário era sempre visto com os especialistas, para antecipar o potencial stress de cada semana. Com menos stress, os investigadores notaram imediatamente que alguns fios de cabelo grisalhos recuperavam naturalmente a sua cor original, algo que segundo a equipa de Picard nunca tinha sido documentado de forma quantitativa.

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