Mais de 57 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com demência, segundo a Organização Mundial de Saúde. É difícil prever a quem e quando pode surgir e, quando acontece, torna-se um pesadelo principalmente para as famílias que acompanham o doente, com a diminuição progressiva de faculdades físicas e mentais. E se houvesse um teste simples que permite perceber se tem sinais da patologia? Recentemente, esta premissa tornou-se viral num TikTok.
Chama-se Luria Test e consiste em fechar a mão em punho, colocá-la sobre a palma da outra mão e, de seguida, apoiá-la pela lateral do dedo mindinho antes de a voltar a pousar com a palma para baixo. A sequência deve ser repetida sem interrupções.
O vídeo que voltou a popularizar esta técnica foi partilhado pelo neurologista Adnan Husein e conta atualmente com cerca de sete milhões de visualizações. “As mãos podem revelar pistas subtis sobre a saúde do cérebro”, explicou. Alterações na coordenação, destreza, tónus muscular ou execução de determinados movimentos podem levar os médicos a investigar problemas neurológicos.
A explicação está naquilo que o exercício exige. Para completar a sequência, não basta ter força ou mobilidade nas mãos: é preciso memorizar a ordem dos movimentos, reproduzi-la e manter o padrão. O teste envolve, por isso, capacidades motoras, planeamento, atenção e funções executivas, competências associadas a várias regiões cerebrais, incluindo o lobo frontal.
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O exercício foi desenvolvido pelo neuropsicólogo soviético Alexander Luria, entre os anos 40 e 60 do século XX, como parte de avaliações destinadas a estudar o funcionamento cerebral. A versão de três movimentos continua a ser utilizada em contexto clínico e em avaliações neuropsicológicas.
Uma investigação publicada em 2019 verificou que 60 por cento de um grupo de pessoas com lesões cerebrais não conseguiram executar corretamente a sequência. Os investigadores também concluíram que, apesar de o teste ser sensível a alterações cerebrais, um resultado negativo não pode ser associado diretamente a uma lesão no lobo frontal — mas também não deve ser ignorado.
Segundo o neurologista Adnan Husein, apenas dois por cento das pessoas sem problemas cerebrais falham no teste. O número aumenta drasticamente para quem tem a doença já diagnosticada: mais de 50 por cento dos doentes com Alzheimer têm dificuldade em fazer o exercício. A percentagem sobe para cerca de 70 por cento para aqueles com demência frontotemporal.
O especialista deixa, também, um aviso. “Nem todas as alterações nas mãos significam demência. No entanto, quando as alterações nas mãos ocorrem a par de perda de memória, mudanças de personalidade, dificuldades de linguagem ou problemas de planeamento e julgamento, reforçam a necessidade de uma avaliação neurológica.”
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