Saúde

OMS investiga possível ligação entre a morte de centenas de miúdos e xaropes para a tosse

"Isto é da maior prioridade para nós, não queremos assistir a mais mortes de miúdos provocadas por algo tão evitável", garantem.
A OMS lançou três alertas médicos globais.

Se tem por hábito tomar xarope assim que a garganta começa a arranhar, sugerimos que pense duas vezes antes de o fazer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a investigar se existe alguma relação entre a morte de mais de 300 miúdos em três países e esse tipo de fármacos de venda livre, anunciou a organização esta terça-feira, 24 de janeiro.

O primeiro surto de mortes devido a causas ainda não completamente explicadas aconteceu na Gâmbia e foi assinalado em outubro de 2022. O segundo foi registado na Indonésia e o terceiro foi reportado a 11 de janeiro no Uzbequistão. A OMS adianta, ainda, que a maioria das vítimas foram miúdos com menos de cinco anos.

A organização acrescenta que os incidentes registados nos últimos quatro meses estariam relacionados com xaropes para tosse de venda livre, com contaminação confirmada ou suspeita de níveis elevados de dietilenoglicol (DEG) e etilenoglicol (GE). Os medicamentos em questão são o Ambronol e o DOK-1 Max.

Numa publicação no Twitter, a OMS explica que “os contaminantes são produtos químicos tóxicos usados ​​como solventes industriais e agentes anticongelantes que podem ser fatais mesmo em pequenas quantidades e nunca deviam ser encontrados em medicamentos”.

No site da Organização Mundial da Saúde, explicam-se as consequências nefastas da ingestão destas substâncias: “Pode resultar em ferimentos graves ou morte, especialmente em miúdos. Os efeitos tóxicos podem incluir dor abdominal, vómitos, diarreia, incapacidade de urinar, dores de cabeça, estado mental alterado e lesão renal aguda que pode levar à morte”.

Até à data, a OMS identificou seis fabricantes de medicamentos na Índia e na Indonésia que produziram os xaropes. Os responsáveis recusaram-se a comentar a investigação ou negaram utilizar substâncias que tenham contribuído para quaisquer mortes.

Uma vez que não se tratam de incidentes isolados, a OMS apelou à intervenção urgente dos reguladores e governos para retirarem de circulação quaisquer produtos médicos de qualidade inferior que tenham sido identificados nos alertas médicos como potenciais causas de mortes e doenças. Pede ainda que seja assegurado que todos os fármacos à venda sejam aprovados pelas autoridades competentes e obtidos junto de fornecedores licenciados.

A OMS recomenda igualmente que sejam atribuídos os recursos adequados para melhorar e aumentar as inspeções baseadas no risco dos locais de fabrico, em conformidade com as normas e padrões internacionais. “Isto é da maior prioridade para nós, não queremos assistir a mais mortes de miúdos provocadas por algo tão evitável”, frisou a porta-voz da OMS, Margaret Harris.

Aproveite para ler o artigo no qual o pediatra Manuel Magalhães explicou à NiT porque é que não vale a pena gastar dinheiro nestes medicamentos.

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