Saúde

Ordem dos Médicos diz que profissionais já “não conseguem salvar todas as vidas”

O bastonário publicou aquele que é um “grito de alerta pelos doentes”, numa altura em que os hospitais estão no limite.
Portugal tem mais de cinco mil pessoas internadas devido à doença.

São recordes atrás de recordes, centenas de internamentos diários e um Serviço Nacional de Saúde no limite da sua capacidade de resposta à Covid-19 — é isto que se tem visto nos últimos dias através de testemunhos e imagens deixadas nas redes sociais. A Ordem dos Médicos (OM) diz que a situação que se vive na saúde em Portugal é culpa da ausência de medidas robustas por parte de quem toma decisões.

Numa nota publicada esta segunda-feira, 18 de janeiro, o bastonário, José Miguel Guimarães, escreve aquele que é “um grito de alerta pelos doentes” e deixa um conjunto de propostas urgentes para combater a pandemia.

A primeira é a comunicação aos portugueses de forma transparente, coerente e objetiva, não omitindo a verdade, não tentando esconder a gravidade da situação. A Ordem dos Médicos pede também para se adotar com a maior brevidade um confinamento geral, no mínimo semelhante àquele que aconteceu em março e abril de 2020 quando, destacam, estávamos a viver “uma situação muito menos severa”.

A OE diz que o plano de vacinação contra a Covid-19 deve ser rapidamente revisto. “As meias-medidas nem servem a saúde nem a economia. Já perdemos demasiado tempo e continuamos a perder. É inaceitável continuar nas meias medidas e meias verdades. Dizer que está tudo bem, quando não está”, afirma, deixando ainda um alerta em relação ao cenário que os profissionais de saúde estão a viver.

“Os profissionais de saúde neste momento têm de tomar decisões complexas e muito difíceis em contexto de medicina de catástrofe e de estabelecimento de critérios de prioridade e não conseguem salvar todas as vidas. São eles que desesperam perante os limites do sofrimento e da compaixão, mercê da incapacidade de tratar o outro, e assim são vítimas de burnout e sofrimento ético. São eles que, além dos doentes, sofrem no terreno, e que aguentam a pressão brutal sobre o SNS”, alerta a Ordem dos Médicos.

Ninguém pode continuar, por más decisões políticas, a tolerar a morte silenciosa de quem não consegue gritar”, continua, acrescentando que há muito que ultrapassámos a linha vermelha.

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