Saúde

Os ginásios são um dos principais focos de transmissão de Covid-19, avança estudo

Ao exercitar-se, uma pessoa emite em média 76.200 aerossóis, contra os 580 que expele quando está a descansar.
Procure espaços bem ventilados.

As notícias não são muito animadoras para quem vê o ginásio quase como uma segunda (ou até mesmo primeira) casa. Um estudo da Universidade de Munique, publicado esta segunda-feira, 23 de maio, indica que estes podem ser verdadeiros focos de transmissão de Covid-19.

A pesquisa revela que, quando faz exercício, uma pessoa emite 132 vezes mais aerossóis por minuto do que quando está a descansar, passando de uma média de 580 para 76.200. Sabendo que estas pequenas partículas que se espalham no ar quando respiramos são responsáveis pela transmissão aérea do vírus, os investigadores acreditam que os ginásios acabam por tornar-se em grandes centros de propagação — e não são os únicos que o dizem.

“Estes dados não só explicam as transmissões de SARS-CoV-2 durante exercícios em grupo em espaços fechados, mas também podem ser utilizados ​​para projetar medidas de mitigação mais direcionadas para atividades físicas em ambientes fechados, como aulas de educação física na escola, eventos de dança durante casamentos ou aulas de ginástica de alta intensidade, como o spinning”, pode ler-se no estudo citado pela “CNN Portugal”.

À revista “Time”, Henning Wackerhage, coautor da pesquisa e professor de biologia do exercício na Universidade Técnica de Munique, mostrou-se surpreendido com as conclusões da análise, que colocou várias pessoas a fazer exercício até à exaustão em bicicletas estáticas com uma máscara de silicone na cara, que estava ligada a um recipiente de plástico onde as partículas eram armazenadas e quantificadas.

“Sabíamos que, quando fazemos exercício físico, há mais ar a sair do corpo humano. Mas não sabíamos, e eu não o esperava, que quando nos exercitamos muito, expelimos mais partículas por litro de ar”, disse o especialista.

A equipa salienta, contudo, que a análise tem limitações, sendo uma das mais evidentes a reduzida amostra em que se baseia — composta apenas por 16 pessoas. O facto de nenhum estar infetado com Covid-19, por preocupações éticas sobre os possíveis riscos para a saúde dos participantes, também limita a extrapolação dos resultados.

À “CNN Portugal”, Bernardo Gomes, médico de Saúde Pública, comentou que isolar os ginásios como locais mais propícios para a disseminação do vírus não é justo, visto que todos os lugares menos ventilados e com maior concentração de pessoas representam riscos elevados de transmissão de doenças.

“Não são só os ginásios, são os espaços físicos interiores sem ventilação. A ventilação é o mais importante. A qualidade do ar interior vai ter de ser uma prioridade nos próximos anos. Os locais com menor ventilação são os mais propícios à necessidade de utilizar máscara”, começou por dizer.

Para diminuir os perigos, as pessoas podem procurar estabelecimentos de maiores dimensões, com uma melhor circulação do ar e com mais espaço para cada utilizador, sugeriu.

Aconselhou, igualmente, que se tenham em conta os horários de utilização e a ventilação dos espaços no momento de escolher onde treinar, até porque a utilização de máscara não resolve o problema durante a prática de algumas modalidades.

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