Saúde

Os miúdos são mais mal-educados hoje em dia? Sim, e há razões que ajudam a perceber porquê

A NiT falou com a psicóloga Andreia Filipe Vieira para perceber as causas do problema e de que forma os pais podem tentar revertê-lo ou preveni-lo.

Os relatos multiplicam-se em salas de aula, no recreio e até dentro de casa: há cada vez mais queixas sobre o mau comportamento dos miúdos e adolescentes. Mas será que a nova geração porta-se realmente pior que as anteriores? Para a psicóloga Andreia Filipe Vieira a resposta não é linear, mas confessa existirem mais evidências de que, hoje em dia, os jovens mostram comportamentos mais desafiantes.

“Nas consultas, os professores dizem que os alunos os confrontam mais e envolvem-se em brigas com outros colegas. Também dizem que têm comportamentos mais agressivos do que há uns anos”, conta à NiT. As alterações comportamentais surgem, muitas vezes, por volta dos seis anos, ou seja, na altura em que entram para o ensino primário. E há várias causas. 

Atualmente, há também uma grande intolerância à frustração — e as redes sociais estão no centro do problema. “A introdução às diferentes plataformas de vídeos, como o TikTok e os Reels do Instagram, acaba por influenciar este comportamento”, revela. “O facto de assistirem a vídeos rápidos baixa o nível de paciência dos miúdos porque estão sempre a necessitar de um estímulo”, acrescenta.

Os maus comportamentos, que muitas vezes se refletem não só em interações na escola, mas também com adultos fora desse contexto, é também é influenciada por desenhos animados e videojogos, que atualmente são mais agressivos, explica a psicóloga. 

 “A linguagem das personagens é uma grande influência para os miúdos, especialmente porque têm o cérebro em desenvolvimento. Isso tem um grande papel nas pessoas que vão ser em adultos. É importante não estarem expostos a este tipo de conteúdo”, sublinha, deixando esse alerta para os pais.

Também não faltam testemunhos de que há menos respeito pelas figuras de autoridade, o que pode estar ligado à educação em casa, onde “há menos rigidez” e regras devido ao contexto social atual. “Os pais estão mais ocupados com o trabalho e passam menos tempo em casa do que antes. Os filhos sentem-se mais livres. Mesmo miúdos mais pequenos são influenciados uns pelos outros”, refere.

Entre os sinais de alerta, destaca comportamentos como irritabilidade quando estão sem ecrãs, dificuldades em adormecer ou uma necessidade constante de novidade e estímulo. “Baixa tolerância quando os pais dizem que não” é outro dos aspetos a que os cuidadores devem estar atentos.

No que diz respeito a soluções, a psicóloga defende a importância de equilibrar autonomia e limites. “Alguns pais são muito protetores e não deixam que os filhos aprendam sozinhos. Eles devem ter espaço para errar e aprender por eles próprios”, realça a profissional.

A criação de alternativas ao tempo de ecrã é igualmente fundamental. “Devem trocar os vídeos por outro tipo de estímulos, como atividades ao ar livre, e brincar mais com os miúdos, que é algo que se perdeu muito”, lamenta. 

Carregue na galeria para conhecer os piores desenhos animados para o desenvolvimento dos miúdos.

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