Saúde

Os números são claros: a Covid é a maior tragédia dos últimos 100 anos em Portugal

A mortalidade da pandemia torna insignificantes alguns dos desastres e acidentes que chocaram o País nas últimas décadas.
Portugal atravessa uma crise sem precedentes.

A noite de 25 de novembro foi negra. A madrugada seguinte de absoluto desespero na região de Lisboa, completamente inundada por umas cheias violentas que nada nem ninguém conseguiram prever. Nesse dia em que o Tejo levou tudo à sua frente — estima-se que mais de 20 mil casas tenham sido destruídas —, a ordem para não contar mais mortos veio de cima, do governo liderado por António de Oliveira Salazar.

O número parou nos 462. Estima-se que possam, na verdade, ter morrido mais de 700 pessoas. Um número trágico que empalidece quando colocado lado a lado com as vítimas da pandemia em Portugal.

Perderam-se, até esta terça-feira, 26 de janeiro — dia em que se atingiu um novo máximo de 291 mortos — 11.012 vidas. Um desastre sem precedentes na história do País, sobretudo quando comparado com os desastres que fizeram manchetes nos últimos 70 anos.

Este é um cenário que está longe de estar fechado. A própria ministra da Saúde admite que o número de mortos poderá atingir a barreira dos 20 mil até março.

Desastres naturais e acidentes à parte, o ano que passou foi também o mais mortífero desde que se começaram a fazer os registos em 1960. Apesar de não haver certezas dada a falta de números oficiais nas décadas anteriores, o “Jornal de Notícias” avança que o número de mortes de 2020 é o mais alto desde 1920. 

Há precisamente um século, Portugal saía daquela que foi a pandemia da gripe espanhola e que, segundo os registos, provocou 253 mil mortos em 1918, 154 mil em 1919 e finalmente 144 mil em 1920.

A Covid-19 não explica tudo. O caos nos serviços de saúde e os sucessivos confinamentos têm potenciado também um aumento da mortalidade não relacionada com o novo coronavírus.

Em 202,0 registaram-se mais 11.118 mortes do que no ano anterior — um total de 123.409 mortes que significa um valor acima da média dos últimos cinco anos, num excesso de 12.220 vítimas mortais.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT