Saúde

Os perfumes vaginais estão a invadir o mercado, mas cheirar bem pode causar problemas

Anitta já lançou a sua própria linha deste género de fragrâncias. A aplicação pode provocar reações alérgicas.
Anitta causou o caos na Internet após o lançamento.

No final de julho, Anitta lançou uma linha de perfumes vaginais com três fragrâncias diferentes: Se Envolver, Ágatta e Preparada, nomes inspirados em algumas das suas canções. Cada um custa cerca de 13€. Foram criados em parceria com a farmacêutica brasileira Cimed, que já disponibilizava uma vasta oferta no segmento dos cuidados ginecológicos e sexuais.

A cantora revelou que é fã deste tipo de género de produtos, que aplica antes de estar com um parceiro, porque “adora o cheiro”. Nas redes sociais, criticou-se o perfil pouco feminista daquele lançamento da artista que atuou em Portugal a 26 de junho. “Esse perfume para a região íntima da Anitta (ou qualquer outro) é um desserviço para a saúde das pessoas e ainda reforça estereótipos negativos acerca do corpo”, escreveu uma utilizadora no Twitter. “Mulheres em sã consciência, ignorem a questão do novo perfume de vagina que será lançado por uma animadora de festa, no Brasil. A vulva não precisa de ‘cheirinho de chiclete’. Anitta é uma serva do capitalismo e tudo o que fabrica é para vender e vender e vender”, criticou outra.

A vagina é revestida por uma membrana mucosa muito sensível. Ou seja, trata-se de uma espécie de pele muito fina e elástica, cujo extrato mais superficial, é muito reduzido e absorve facilmente qualquer produto que ali seja aplicado. “Tudo o que for pensado para a área genital tem de ter em conta esta maior sensibilidade e maior capacidade de absorção”, conta-nos a dermatologista Ana Sofia Borges.

Tal como algumas pessoas são alérgicas aos perfumes aplicados na pele de outras zonas do corpo, também o podem ser àqueles usados nas partes íntimas. É esta a razão pela qual mulheres com alergias a fragrâncias desenvolvem infeções quando usam pensos higiénicos com cheiro ou lubrificantes. “Em princípio, não haverá uma irritação imediata, porque estes produtos costumam ser testados e esses problemas são logo identificados. Mas a dermite que se desenvolve após uma maior exposição ao produto, ou seja, depois de o usar duas ou três vezes, está mais dependente da sensibilidade da própria pessoa e não do produto”, acrescenta.

Não devemos classificar todos os perfumes vaginais como nocivos, contudo, é necessário ter sempre alguma reserva em relação à sua aplicação quotidiana. Especialmente porque o ingrediente mais presentes neste tipo de produtos é o álcool, “um componente irritativo”. É aconselhado que pessoas com eczema atópico, acne e rinite alérgica tenham especial cuidado, porque podem desevolver uma infeção ou vermelhidão. “Não deixa de ser um produto com um objetivo simplesmente comercial, como muitos outros que existem no mercado. Os géis de massagem íntima, por exemplo, também têm malefícios. Porém, na maior parte das pessoas [que os usam] não tem qualquer interferência no dia a dia”, realça a dermatologista.

Muitas mulheres podem-se sentir constrangidas com o odor das partes íntimas, tentando-o disfarçar de diversas maneiras. “Se houver uma higienização correta, a mucosa não tem um cheiro assim tão mau. Claro que este pode sofrer alterações associadas aos períodos menstruais, daí existirem pensos higiénicos com cheiro”, esclarece Ana Sofia Borges.

Se sentir um odor mais intenso, ou se notar algum tipo de corrimento, pode ser sinal de que está com uma infeção urinária. Neste caso, é extremamente desaconselhado o uso de qualquer perfume para o tentar disfarçar. Pode ler o artigo da NiT onde lhe explicamos como pode prevenir este tipo de infeções. Também pode carregar na galeria para saber como as evitar.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT