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Saúde

Os perigos desconhecidos das extensões para o cabelo. Cancro da mama é apenas um deles

A NiT falou com um especialista em medicina capilar que nos alertou para os riscos destes produtos cada vez mais populares.

Fazem parte do dia a dia de milhões de mulheres que querem ter um cabelo mais comprido e volumoso, mas, agora, estão envolvidas em polémica. Segundo um estudo norte-americano publicado esta quarta-feira, 11 de fevereiro, as extensões podem estar associadas a vários riscos para a saúde, incluindo irritações cutâneas, dermatites, desequilíbrios hormonais e, em casos extremos, um risco acrescido de cancro da mama.

A investigação, conduzida pelo Instituto Silent Spring, em Massachusetts, analisou 43 extensões capilares vendidas nos EUA, tanto em lojas físicas como online. O resultado foi tudo menos tranquilizador: detetaram mais de 900 químicos, como pesticidas.

Algumas destas substâncias estão associadas a um risco aumentado de cancro, desregulação hormonal e disfunções do sistema imunitário. Em 36 das amostras foram encontradas 17 substâncias com potencial de interferência hormonal. No total, apenas duas amostras estavam verdadeiramente livres de químicos perigosos — apesar de várias alegarem ser “não tóxicas”.

Este problema, contudo, não é exclusivo dos Estados Unidos. Augusto Guerreiro, especialista em medicina capilar na clínica LHR, também alerta para a mesma preocupação em Portugal. “Com a abertura do mercado e com muitos produtos que vêm de fora da União Europeia, é muito difícil controlarmos a qualidade dos materiais. Convém haver certificados de produção, mas em muitos casos isso não existe”, conta à NiT.

O médico explica, também, que nem todas as extensões são iguais e existem dois grandes grupos: as sintéticas e as de cabelo natural. “As fibras sintéticas são um mundo vasto que, às vezes, sai de controlo. Há acrílico, poliéster, PVC”, revela. O problema é que podem libertar compostos químicos e orgânicos voláteis, sobretudo quando expostos ao calor de secadores, pranchas ou modeladores.

“Isto pode levar a irritação cutânea, dermatite de contacto, comichão e reações alérgicas”, explica. E deixa um aviso simples, mas importante: “Quando estas extensões são expostas ao calor podem libertar vapores irritantes. O cheiro a químicos ou a plástico é um sinal de alerta.”

Já nas extensões de cabelo natural, o risco não está tanto na fibra biológica em si, mas nos tratamentos a que é sujeita. As descolorações intensas, os conservantes antifúngicos e os banhos de silicone para brilhos artificiais fazem parte do processo. O resultado é semelhante: dermatites persistentes e inflamação do couro cabeludo.

Além disso, há outros componentes que podem ter riscos para a saúde, como as colas de fixação que muitas vezes têm resinas de origem desconhecida. “E há também anéis com níquel, que são alergénicos e provocam reações grandes no couro cabeludo”, sublinha.

Embora o risco de absorção do organismo seja considerado baixo, a exposição contínua a produtos baratos e de origem desconhecida pode provocar irritação crónica. A longo prazo, o próprio peso das extensões pode comprometer a saúde capilar.

“São presas ao cabelo nativo do paciente e, com o tempo, podem provocar alopecia de tração”, explica Augusto Guerreiro. O que é que isto significa? Pode levar à queda de cabelo devido à tensão nos folículos, que ficam cronicamente inflamados. Em casos prolongados, pode haver perda definitiva. “Pessoas que colocam extensões porque já têm pouca densidade podem entrar num ciclo vicioso.”

Quanto às substâncias químicas mais preocupantes, o especialista destaca o formaldeído, utilizado na indústria de sintéticos como desinfetante e conservante. “Na Europa é proibido, mas não havendo fiscalização eficaz de alguns produtos que entram por outras vias, é difícil de controlar. E é considerado cancerígeno”, avisa.

O estudo reforça precisamente esta preocupação com a falta de transparência na indústria. As empresas raramente divulgam as substâncias químicas utilizadas, o que impede os consumidores de conhecer os efeitos do uso prolongado. Embora a investigação tenha sido feita nos EUA, muitas das extensões testadas são produzidas e comercializadas globalmente. Ao mercado europeu, chegam facilmente através de plataformas online.

A alternativa mais segura? Evitar soluções rápidas. “Devem, sim, fazer um diagnóstico e um tratamento para o cabelo para ganharem densidade.” Caso opte por utilizar as extensões, deve fazê-lo pelo mínimo de tempo possível e procurar apenas por produtos certificados.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos alimentos nos quais deve apostar para fortalecer o cabelo e evitar a queda.

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