Saúde

Os zumbidos são mais comuns do que pensa — e podem esconder problemas de saúde

Há certos casos em que não há cura mas há coisas que podemos fazer para os prevenir.
A que devemos estar atentos.

Há problemas que, num primeiro momento, tendemos a desvalorizar. Parece coisa pequena, que há-de passar. Mas em certos casos o prolonga prolonga-se, agrava-se. E aí já começamos a sentir na qualidade de vida. 

Estima-se que os zumbidos possam afetar entre 15 a 30 por cento da população, com maior prevalência a partir dos 55 anos. Se tem sentido algum incómodo com zumbidos, é importante perceber que não está sozinho. Muito longe disso. Mas mais importante ainda é saber o que fazer e o que está em causa.

Tiago Caneira, médico de otorrinolaringologia no Hospital CUF Descobertas, explica à NiT de que falamos quando falamos de zumbidos. Em primeiro lugar, este é um problema com um nome médico específico: acufeno. É um sintoma do ouvido muito comum que se caracteriza pela perceção de som na ausência de um estímulo sonoro externo”, explica-nos.

“Existem vários tipos de acufenos, bem como várias classificações”, prossegue o especialista. “O seu impacto na qualidade de vida e no dia-a-dia é também muito variável, podendo ser audíveis apenas ocasionalmente à noite ou no silêncio ou persistentemente durante o dia, inclusivamente com ruído do ambiente.”

Em certos casos este sintoma pode estar relacionado com perda de audição, ainda que sem causa aparente associada. São os que designamos como primários. Quando na sua origem há causas concretas, são definidos como secundários. Há um grande leque de possíveis causas secundárias, algumas banais outras que podem significar maior risco. “Cera, doenças do ouvido médio ou membrana do tímpano, doenças do ouvido interno, malformações vasculares, entre outras”, especifica Tiago Caneira.

Também se pode dar o caso de afetarem um ou ambos os ouvidos. Podem “estar associados ou não a perda de audição e ser descritos como um apito agudo, um tocar de telefone, uma campainha, uma máquina a trabalhar”, exemplifica. A grande maioria dos zumbidos (cerca de 90 por cento) são primários. “Neste tipo de situações são habitualmente benignos, sendo necessário ponderar o seu impacto na qualidade de vida, aspeto que não deve ser desvalorizado”.

Esta questão é essencial. Este é o tipo de problema em que a intervenção é influenciada pelo maior ou menor impacto na qualidade de vida. Mas como vimos, embora a maior parte possam ser considerados benignos, há casos em que os tais acufenos terão uma origem mais concreta. E aqui falamos de casos em que é importante procurar uma consulta especializada. “Todas as causas de acufenos secundários devem ser avaliadas pelo otorrinolaringologista”, frisa o otorrinolaringologista. Mas como saber quando é essencial ajuda especializada? Há alguns sinais a ter em conta.

“Se associados a um quadro agudo de perda auditiva e/ou vertigens ou tonturas, a avaliação deve ser célere. É também recomendável a realização de uma avaliação da audição em todos os doentes com acufenos”, realça.

Quando afeta a qualidade de vida.

O que fazer?

“Após serem excluídas causas potencialmente reversíveis, o tratamento dos acufenos é dirigido ao sintoma em si”, explica Tiago Caneira. É aqui que deve ser tido em conta o impacto que o problema está a ter na vida da pessoa (e aqui a própria pessoa é quem melhor o pode explicar). “Nalguns casos não causam impacto significativo e tendem a melhorar com o tempo, mas noutras situações (cerca de 10 por cento) interferem gravemente na qualidade de vida”, alerta.

“Na maioria dos casos não existe uma cura específica”, reconhece o especialista da CUF. Mas tal como em muitos casos os zumbidos não têm uma origem problemática e se podem resolver com o tempo, há também boas notícias quando é preciso uma intervenção mais específico.

“Os tratamentos comprovadamente eficazes incluem a correção da perda auditiva associada (com melhorias em 50 a 85 por cento dos doentes), a educação do doente e a terapia cognitivo-comportamental”, explica Tiago Caneira. E acrescenta: “a terapia sonora e o mascaramento com ruídos de fundo, bem como o tratamento de fatores associados como depressão e ansiedade, se indicado, são também muitas vezes recomendados”.

Em muitos casos, não é possível prevenir os acufenos. No entanto, existem alguns comportamentos que podem ajudar a prevenir ou a minimizar o impacto dos acufenos. Não estranhe se boa parte deles forem hábitos mais saudáveis que podemos adotar ou manter na nossa vida por um sem número de outras razões — todas elas saudáveis.

Em termos de prevenção, vale a pena ter em conta “o exercício regular e uma dieta equilibrada, a limitação da exposição a nicotina, álcool e cafeína”. É também importante a “utilização de proteção auditiva durante a exposição a sons de elevada intensidade ou durante um período prolongado”, bem como a limitação do volume dos aparelhos eletrónicos. Aqui o otorrinolaringologista sugere como referência máxima os 50 a 60 por cento de volume em aparelhos como os headphones.

É também importante ir fazendo pausas na exposição a música e a sons mais intensos. A música é daquelas maravilhas que têm sempre lugar nas nossas vidas, e ainda bem. Como em tudo, o importante é não abusar (neste caso no som). É a melhor forma de ter ainda mais tempo de qualidade para ouvir a música que se quer.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT