O uso de medicamentos como Ozempic ou Wegovy voltou ao centro do debate depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter publicado, esta segunda-feira, 1 de dezembro, a sua primeira diretriz sobre o tratamento da obesidade com estas terapias. Em resposta, o Governo português confirmou que o Infarmed está a avaliar a possibilidade de comparticipar estes fármacos, segundo anunciou a ministra da Saúde.
De acordo com Ana Paula Martins, a decisão de o Estado apoiar financeiramente a prescrição destes medicamentos para fins de perda de peso terá de ser ponderada “pelos peritos” e enquadrada nas indicações definidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), limitadas a situações consideradas graves. A pressão sobre o tema tem aumentado devido à procura crescente por estes medicamentos, tantas vezes utilizados para perda rápida de peso.
A 5 de setembro, a OMS já tinha incluído os produtos com GLP-1 na lista de medicamentos essenciais para o tratamento da diabetes tipo 2 (que conta com 532 terapias), em grupos de alto risco. Estes fármacos com GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), como o Ozempic ou o Wegovy, imitam a ação desta hormona produzida pelo intestino. Os injetáveis aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas quando o nível de açúcar no sangue está elevado, reduzem a secreção de glucagon e atrasam o esvaziamento gástrico, o que ajuda a controlar o apetite.
A nova diretriz, publicada a 1 de dezembro, recomenda o uso das terapias com GLP-1 em adultos, exceto grávidas, como parte de um tratamento abrangente que inclua alimentação saudável, atividade física e acompanhamento por profissionais de saúde. A recomendação é condicional devido a dados ainda limitados sobre a segurança, eficácia a longo prazo, manutenção do efeito e custos.
Segundo a OMS, há mais de mil milhões de pessoas afetadas pela obesidade no mundo (dados de 2022). Em 2024, a doença causou 3,7 milhões de mortes, número que poderá duplicar até 2030. Além do impacto na saúde, os custos globais associados à obesidade podem atingir três triliões de dólares por ano até ao final da década. A organização considera que as novas diretrizes podem ajudar a reduzir este peso económico e a melhorar o tratamento da doença e das suas complicações.
A OMS chama também a atenção para os riscos associados ao mercado paralelo, já que a elevada procura por GLP-1 tem incentivado a circulação de produtos falsificados ou de qualidade inferior, tornando essencial que o acesso a estes medicamentos aconteça com prescrição e supervisão médicas.
A diretriz sublinha ainda a importância de garantir o acesso equitativo a estas terapias e de preparar os sistemas de saúde para responder à procura crescente. O acesso limitado pode agravar desigualdades já existentes e restringir os benefícios a uma pequena parte da população. Mesmo com o aumento da produção, estima-se que a oferta continuará insuficiente. Por isso, a OMS apela à adoção de medidas como compras conjuntas, preços diferenciados entre países, consoante o poder económico da população, e o licenciamento voluntário, que permite a produção por outros fabricantes.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da organização, refere que “a obesidade é um grande desafio global de saúde que a OMS está empenhada em enfrentar, apoiando países e pessoas em todo o mundo para controlá-la de forma eficaz e equitativa. As nossas novas diretrizes reconhecem que a obesidade é uma doença crónica que pode ser tratada com cuidados abrangentes e ao longo da vida”.
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