Saúde

Pandemia deixou cerca de 600 crianças órfãs em Portugal

Números são avançados por um modelo matemático que estima que 1,5 milhões de crianças em todo o mundo terão perdido pai, mãe ou um cuidador.
Estimativas são de modelo matemático.

Um novo estudo publicado pela revista “The Lancet” procura perceber, através de um modelo matemático, o impacto da pandemia em crianças que terão perdido o pai, a mãe, ambos, ou um pelo menos um tio ou um dos avós que tinham como cuidadores.

O estudo publicado na terça-feira, 20 de julho, pegou em dados de 21 países, recolhidos entre março de 2020 e final de abrirl de 2021, que, no seu conjunto, representavam na altura da recolha de dados 76,4 por cento das mortes globais por Covid-19. A partir daí extrapolaram o modelo matemático para o resto do mundo, incluindo Portugal.

Em Portugal, e os próprios autores do estudo salientam que estes números não são definitivos, o modelo matemático estimou que 590 crianças e adolescentes terão ficado órfãos durante a pandemia, número que sobe para 660 se for incluída a perda de avós que tinham a sua guarda ou outros familiares próximos que tinham a guarda das crianças ou partilhavam como cuidadores de menores o mesmo agregado familiar.

Os 21 países que serviram de base para depois extrapolar dados foram: Argentina, Brasil, Espanha, Colômbia, Reino Unido, França, Alemanha, Índia, Irão, Itália, Quénia, Malaui, México, Nigéria, Peru, Filipinas, Polónia, Rússia, África do Sul, Estados Unidos e Zimbabué.

Nestes países, o estudo estima que, em 30 de abril, por causa da Covid-19, 862.365 crianças e jovens estavam órfãos ou tinham perdido familiares cuidadores diretos. Na extrapolação a nível global, os mesmos dados sobem para mais de 1,5 milhões de crianças em todo o mundo afetadas desta maneira pela pandemia.

Para aplicar o modelo, tentando corrigir eventuais repetições, foram analisados uma série de diferentes dados destes 21 países. Isto incluiu taxas de mortalidade por Covid-19, taxas de mortalidade excessiva, dados de fertilidade, estatísticas das Nações Unidas sobre a composição familiar, entre outros. O estudo inclui 12 páginas onde se analisa ao detalhe cada um destes 21 países, versando sobre o impacto nas vidas de crianças e adolescentes. E inclui ainda um anexo onde se faz a extrapolação para o resto do mundo (e é aqui que encontramos as estimativas para Portugal).

O objetivo do estudo foi perceber o impacto secundário que a Covid-19 pode ter. No caso de orfandade, são vários os riscos associados com impacto na vida de menores, desde um maior risco de pobreza, de distúrbios mentais (da depressão ao suicídio), passando pelo risco de institucionalização e o maior risco de serem vítimas de eventuais abusos.

Os investigadores do Imperial College London realçam no estudo que “as prioridades da pandemia têm-se concentrado na prevenção, deteção e resposta. Além do impacto na saúde e mortalidade, as pandemias têm impactos secundários, como crianças órfãs ou desprovidas de seus cuidadores. Essas crianças muitas vezes enfrentam consequências adversas”.

Embora salientando que as estimativas são apenas estimativas, os investigadores salientam que o modelo matemático que usaram foi pensado para tentar entender o impacto mínimo. O estudo, aliás, refere a expressão “estimativas mínimas” no seu título original (“Global minimum estimates of children affected by COVID-19-associated orphanhood and deaths of caregivers: a modelling study”). O que na prática é uma admissão de que o número de crianças afetadas em todo o mundo poderá ser superior.

 

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