Saúde

Pandemia fez disparar casos de depressão e ansiedade em mais de 25%

As mulheres e os jovens estão entre os mais afetados, num fenómeno que se fez sentir um pouco por todo o mundo.
Jovens e mulheres entre mais afetados.

Numa fase em que o dia a dia vai começando a ter uma normalidade mais próxima dos tempos pré-pandemia, o desafio da Covid-19 continua a fazer-se sentir pelo impacto que se prolongou. Isto é algo que se nota ainda na economia, que se nota também na saúde, como acontece por exemplo com os casos de quem ainda tem sintomas meses após ter sido infetado, mas também na saúde mental.

Um estudo da “The Lancet”, divulgado na sexta-feira, 8 de outubro, vem alertar para isto mesmo, destacando a forma como a pandemia fez disparar casos de depressão e ansiedade em mais de 25 por cento. Este é um fenómeno que se faz sentir de forma global. O estudo remete para dados de 2020 que estimam um aumento de quase 28 por cento dos casos de depressão major e de cerca de 25 por cento dos casos de ansiedade.

A pandemia teve impacto económico-social, nos sistemas de saúde, nas vidas perdidas (e consequentes famílias afetadas) mas trouxe também um contexto mais desafiante em termos de relações sociais e de alteração de hábitos, de coisas simples a mudanças de grande escala, como se verificou em períodos de confinamento.

Em resumo, estima-se que em 2020 houve mais 53 milhões de casos de depressão e mais de 76 milhões de casos de ansiedade do que seria expectável, comparando com outros anos. O mesmo estudo sugere que o impacto não se terá feito sentir de forma uniforme entre toda a população. As mulheres e os jovens estarão entre os mais afetados.

Damian Santomauro, investigadora da Universidade de Queensland, na Austrália, e principal autor do estudo publicado pela revista científica, realça que estas dados reforçam a “necessidade urgente de reforçar os sistemas de saúde mental” para enfrentar o impacto que o contexto da pandemia deixou em termos de saúde mental das populações.

Os responsáveis pelo estudo realçam que recorreram ao cruzamento de dados de diversos estudos, procurando abranger um grande número de países. O estudo procura quantificar a prevalência e o peso deste tipo de perturbações, com dados que se dividem por idade, sexo e localização em 204 países e territórios.

Os autores deixam ainda um alerta para governos e autoridades de saúde: “não tomar medidas para lidar com o fardo dos transtornos depressivos e de  não deve ser uma opção”.

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