Saúde

Patrícia Cipriano: “Durante muitos meses desvalorizei o caroço que tinha na mama”

A advogada e comentadora da TVI só procurou ajuda médica quase um ano depois de detetar o tumor. Mas ainda foi a tempo.
Patrícia foi diagnosticada em fevereiro.

Patrícia Cipriano descobriu um caroço no peito, mas só quase um ano depois, quando as dores se intensificaram é que procurou ajuda. A advogada perdeu o marido para o cancro em 2016 e já suspeitava o que a descoberta que fez em 2021 poderia significar. Quando os resultados dos exames confirmaram o pior cenário, o seu primeiro pensamento foi para os filhos.

Aos 48 anos a também comentadora da TVI foi diagnosticada com um carcinoma na mama esquerda. Ficou sem chão, mas não foi uma propriamente uma surpresa. Patrícia contou à NiT que já sentia que algo não estava bem há alguns meses, mas desvalorizou. No início pensou que poderia ser um efeito secundário do anticoncepcional que toma. Depois, chegaram as  autárquicas e envolveu-se na campanha eleitoral de Carlos Moedas, que acabou por ser eleito presidente da Câmara de Lisboa. Foi um ano muito preenchido e desgastante emocionalmente e só procurou ajuda depois das eleições.

“O alarme soou quando comecei a sentir dores, porque sabia que este sintoma seria sinónimo de um possível carcinoma”. Marcou uma consulta e relembra o episódio: “Mal me fez a apalpação, a médica ficou assustada. Já era um tumor grande”. Fez uma ecografia que confirmou e existência da alteração na mama e fez uma biópsia. “Foi tudo em dias consecutivos”, recorda. O diagnóstico não tardou: “Em fevereiro deste ano disseram-me que tinha um carcinoma agressivo hormonal, em estádio II, com quatro centímetros”. Poucos dias depois iniciou a quimioterapia mais agressiva, a chamada “vermelha”, para tentar diminuir ao máximo o tamanho do tumor.

“O meu primeiro pensamento foi para os meus filhos. Eles já tinham passado por isto porque o pai faleceu de cancro de pulmão. Verem a mãe com a mesma doença, não seria fácil”. E não foi. Patrícia Cipriano muniu-se de força e assegurou-lhes que ia conseguir vencer a batalha. E nunca lhes escondeu nada: “Expliquei-lhes que ia ficar careca, ia passar por momentos em que ia estar mais debilitada, mas tinha de confiar na medicina. A ciência garantia que este era um dos cancros com maior taxa de sobrevivência. Acreditei nisso”.

A advogada nunca deixou de trabalhar. Não só porque adora o que faz, mas porque isso lhe trazia uma certa normalidade que conseguia também passar aos filhos. Durante todo o processo só parou uma semana. “Fiquei de cama porque não conseguia andar. Apanhei um pouco de sol a mais nos pés, algo que não se deve fazer durante a quimioterapia. Fiquei com queimaduras de segundo grau que me impediam de andar”, explica.

“Cheguei a pensar que ia morrer da cura”

As lesões provocadas pela exposição solar foi apenas um dos efeitos secundários do tratamento agressivo pelo qual Patrícia teve de passar. “Com a quimioterapia vermelha sentia-me cansada e debilitada. Caiu-me o cabelo passado uma semana e meia e a minha pele sofreu muitas alterações”, conta. E continua: “Cheguei mesmo a pensar se aquilo era a cura ou se ia morrer da cura”. Patrícia fez quatro sessões da quimioterapia mais agressiva e depois mais 12 sessões de outro tipo de quimio. Depois disso chegou a cirurgia. “Tiraram-me o tumor e o gânglio sentinela na axila”. Na mesma operação fizeram a reconstrução mamária com gordura do seu próprio corpo. “Assim não foi tão chocante, estava tudo muito natural, não notei grande diferença”, assegura.

O pior, a nível físico e para a sua autoestima, foi mesmo a comum queda de cabelo. “Quando o cabelo e as pestanas me caíram, chorei muito. Depois pensei nos milhares de mulheres que já tinham passado pelo mesmo e tinha de ter a mesma força que elas”. Ao pensar nisso lembrou-se que também podia inspirar muitas outras. E foi esse o motivo que a levou a partilhar os passos desta dura batalha. Sempre que aparecia em frente às câmaras no programa “Dois às Dez”, usava peruca e ia publicando as imagens no Instagram. Tinha várias e ia alterando, nunca tentou esconder que não se tratava do seu cabelo. “Hoje em dia recebo muitas mensagens de mulheres que estão a passar pelo mesmo e tento apoiá-las.”

Patrícia Cipriano foi seguida no hospital da Luz e revela que durante o processo atravessou muitos momentos difíceis, mas o pior foi a perda de memória. “Vivo da minha cabeça, da funcionalidade do meu cérebro e esquecer-me de alguma coisa é frustrante”. Este é um dos efeitos secundários da quimioterapia, o chamado nevoeiro cerebral.

Sete meses depois do início dos tratamentos, Patrícia recebeu a notícia que tanto queria ouvir: já não tinha células cancerígenas no organismo, nem existiam metástases. Podia respirar fundo e, finalmente, começar a relaxar.

Agora só quer viver plenamente e aproveitar a vida. “É uma segunda oportunidade. Isto ensinou-me a encarar tudo com mais tranquilidade, com uma maior descontração”. O seu caso teve um desfecho positivo, mas o caminho não foi fácil de trilhar. O apoio dos familiares e amigos foi fundamental. “Uma das minhas amigas convidava-me todas as semanas para almoçar, a minha mãe nunca me largou a mão e recebia mensagens diárias de milhares de pessoas a darem-me força para continuar. Tudo isto foi determinante.”

Neste momento, a comentadora da TVI está a fazer as últimas sessões de quimioterapia preventiva, para expulsar o intruso — como lhe chama — que se apoderou do ser corpo.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da advogada ao longo do processo.

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