Em menos de um mês, a família de Mafalda voltou a enfrentar um golpe difícil: mais de mil quilos de tampinhas solidárias desapareceram em Viseu. É a segunda vez que isto acontece a Mafaldinha, como também é conhecida.
A menina de 10 anos tem uma doença congénita da glicosilação, que afeta um processo bioquímico fundamental nas células. A doença genética impede o organismo de fazer adicionar corretamente açúcares às proteínas, o que afeta o funcionamento de vários órgãos e sistemas do corpo. Devido à condição, tem de andar em cadeira de rodas e cumprir um plano rigoroso de tratamentos e acompanhamento diário.
Para ajudar a suportar essas despesas, os pais, juntamente com familiares, amigos e outras pessoas, dedicam-se, há vários anos, à recolha de tampinhas de plástico. O material é depois encaminhado para uma empresa de reciclagem, ao abrigo de um acordo solidário, gerando uma verba essencial para garantir os cuidados de que a viseense necessita.
Naturalmente, os dois furtos deixaram a família indignada. “É a Mafalda que está a ser prejudicada por um bando de malfeitores que planearam os assaltos sem se preocuparem com as consequências”, disse Joana, a mãe, ao “Diário de Viseu”.
O primeiro caso, ocorrido a 5 de março, não chegou a ser participado à polícia, por se admitir que pudesse tratar-se de alguém alheio à natureza da recolha. Já o segundo, no dia de Páscoa, 5 de abril, revelou um grau de planeamento diferente.
Desta vez, revela Joana, foi necessária uma carrinha de grandes dimensões e até um empilhador para remover os sacos de grande volume onde as tampinhas estavam armazenadas, o que aponta para uma operação organizada. Além do material furtado, houve danos no espaço utilizado, custos que recaíram sobre a própria associação.
Perante a repetição do crime, a PSP foi chamada ao local. No dia seguinte, elementos da Brigada de Investigação estiveram no terreno e aconselharam a família a retirar o que restava do campo de futebol onde as tampinhas estavam guardadas — um espaço cedido pelo Grupo Desportivo, Cultural e Recreativo de Paradinha, localidade onde residem.
“No primeiro assalto, a 5 de março, foram furtados cerca de 50 sacos de 100 litros cheios de tampinhas que guardamos num espaço do campo de futebol cedido pelo grupo desportivo. Nessa altura decidimos então passar a guardar as tampinhas diretamente nos big-bags e achámos que desta forma resolvíamos o problema”, conta Joana. A 5 de abril, viram que faltava cerca de uma tonelada de tampinhas.
Além da perda financeira, que compromete o pagamento de terapias essenciais, surge agora uma nova preocupação: encontrar um local seguro para continuar a armazenar o material recolhido. A família procura um espaço acessível a camiões de recolha, preferencialmente na zona de Viseu, que permita manter a logística sem grandes dificuldades.
Sem compreender totalmente o motivo por detrás dos furtos, Joana admite que as tampinhas possam ter algum valor para sucateiros, ainda que reduzido. Ainda assim, sublinha que o prejuízo real recai sobre a filha, já que o dinheiro obtido com esta iniciativa é canalizado diretamente para os seus tratamentos. “Para a minha filha representa uma grande perda. Nós não estamos a falar de dinheiro meu, mas sim de um valor da minha filha que representa muito mais, como terapias que ela precisa”, explica.
Apesar das dificuldades, a família de Mafalda garante que não vai desistir. Com uma situação estável — ambos os pais trabalham e não dependem de apoios básicos —, o objetivo é assegurar as terapias de Mafalda, que incluem sessões de hipoterapia, fisioterapia, terapia da fala e ocupacional, entre outros apoios essenciais ao seu desenvolvimento.
Quem quiser contribuir pode continuar a entregar tampinhas e rolhas em vários pontos de recolha em Viseu, Mangualde e Aveiro. Existe também a possibilidade de ajuda financeira, através de transferência bancária (PT50 0035 0528 0002 7681 5308 3) ou MBWay (918 456 766).

LET'S ROCK






