Saúde

Pílula masculina “mais eficaz que os preservativos” pode estar para breve

Um grupo de homens já está a testar o comprimido não hormonal que impede a produção de espermatozoides.
Boas notícias.

A pílula anticoncecional feminina surgiu na década de 1960 e representou uma verdadeira revolução para as mulheres, com enorme impacto no planeamento familiar. Volvidos mais de 60 anos, a lista dos 20 métodos contracetivos da Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui apenas dois nomes destinados aos homens. Após várias tentativas para alterar esta realidade, o fim da longa espera parece estar cada vez mais próximo.

A criação de um anticoncecional masculino em comprimido está em projeto há várias décadas, sem grandes resultados definitivos. Contudo, um grupo de homens britânicos começou esta semana a experimentar uma nova pílula que promete “ser mais eficaz que os preservativos”, avançou a revista científica “Clinical Trials Arena” esta quarta-feira, 13 de dezembro.

Ao contrário do contracetivo feminino, o YCT-529 não é hormonal. O fármaco foi desenvolvido para impedir a produção de espermatozoides, bloqueando o acesso à vitamina A. Segundo os investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Minnesota, responsáveis pelo projeto, essa é uma das vantagens desta descoberta. “Bloqueia uma proteína e não a testoterona”, evitando os efeitos adversos da sobrecarga hormonal.

“Optámos conscientemente por inibir a via de sinalização da vitamina A nos testículos, porque quase 100 anos de pesquisa validaram esta via e mostram que a infertilidade pode ser facilmente revertida”, explicou Gunda Georg, uma das autoras do estudo, aqui citada pela Sky News.

Se for tomado à semelhança do contracetivo feminino, ou seja, diariamente, “produz um efeito anticoncecional superior ao do preservativo”.

“Os dados pré-clínicos, recolhidos ao longo dos últimos 20 anos, revelaram que o medicamento foi 99 por cento eficaz na prevenção de gravidezes em ratos e na diminuição da contagem de espermatozoides em macacos após duas semanas de dosagem”, acrescentou Georg.

O fármaco demonstrou ainda um “forte perfil de segurança” e uma “reversibilidade total” após a interrupção tratamento.

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