Saúde

Polémica lançada: imitou modelo da Victoria’s Secret e o Instagram censurou a foto

A rede social foi acusada de gordofobia, mas já pediu desculpa à comediante australiana Celeste Barber.
Apenas uma das fotos foi censurada.

Numa altura em que se acusa o Instagram de favorecer o algoritmo de pessoas magras e brancas, a rede social tem uma atitude que só aumenta mais a certeza de quem acredita nesta teoria. Na sexta-feira, 16 de outubro, a comediante Celeste Barber imitou uma fotografia de um dos anjos da Victoria’s Secret e a plataforma censurou-a. Seguiu-se o caos.

A publicação faz parte de um desafio habitual que a australiana desenvolve na sua conta desde 2018, onde tem mais de 7,4 milhões de seguidores, chamado #CelesteChallengeAccepted. Resumidamente: escolhe fotografias de celebridades e recria-as em tom de paródia.

Recentemente, a humorista de 38 anos replicou uma imagem de Candice Swanepoel, na qual surge a tapar o peito com o braço esquerdo. Embora as imagens sejam exatamente na mesma posição — Barber, na verdade, até vestiu uma parte de baixo, ao contrário de Candice —, os seguidores da humorista tentavam partilhar e recebiam uma mensagem em como a imagem ia “contra as diretrizes da nossa comunidade sobre nudez ou atividade sexual”, conta o “The Guardian”.

A imagem da modelo sul-africana, por outro lado, permaneceu como estava e podia ser partilhada. Não demorou muito até o Instagram ser acusado de gostar mais das pessoas cujo padrão de beleza se encaixa naquilo que é considerado ideal.

“Hey, Instagram, resolvam os vossos padrões de body-shaming”, escreveu a comediante algumas horas depois. Foram vários os utilizadores que relembraram que este tipo de atitudes são consideradas gordofobia — o preconceito ou intolerância contra pessoas gordas — e que podem criar graves problemas mentais e alimentares em pessoas inseguras com o seu corpo. 

Entretanto, ao final da noite desta quarta-feira, 21 de outubro, a rede social fez um pedido de desculpas a Celeste Barber.

“O Instagram enviou-me um email com um pedido de desculpas, Deus, dizendo que foi um erro e que eles estão a trabalhar para consertá-lo. Eles também disseram que até mesmo as pessoas que tentaram partilhar a minha publicação já podem fazê-lo”, escreveu Barber.

À revista americana “Insider”, um representante do Instagram confirmou em comunicado que a equipa da rede social fez o pedido de desculpas e que está empenhada em atualizar as políticas neste tipo de fotografias “para garantir que todos os tipos de corpo são tratados de forma justa”.

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Salty.

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Não é a primeira vez que este tipo de censura acontece

Nyome Nicholas-Williams foi outra das mulheres que sofreram com a censura do Instagram, tal como a NiT noticiou na altura. A modelo negra de 28 anos, que mora em Londres, no Reino Unido, partilhou uma fotografia conseguida numa sessão com a fotógrafa Alexandra Cameron. Nela, era possível ver a modelo com uma incrível luz natural, de olhos fechados e com os braços a cobrir o peito. 

Os comentários dos seus mais de 38 mil seguidores rapidamente multiplicaram-se: “Deslumbrante”, “lindo” e “isto devia estar numa exposição”. A imagem estava a ter imenso sucesso até a rede social decidir apagá-la e enviar uma mensagem a ameaçar cancelar a conta de Nyome.

“Milhões de fotos de mulheres brancas e nuas e magras podem ser vistas no Instagram todos os dias”, disse Nicholas-Williams, citada pelo jornal britânico “The Guardian” a 9 de agosto. “Mas uma negra gorda celebrar o seu corpo é proibido? Foi chocante para mim. Sinto que estou a ser silenciada.”

Os seus seguidores também não ficaram contentes e decidiram partilhar em massa a tal fotografia da modelo, juntamente com a hashtag #IWantToSeeNyome (em português, #EuQueroVerANyome). Porém, o tratamento era o mesmo: a imagem era eliminada e chegava a ameaça de eliminar a conta desses utilizadores.

A modelo, que é agenciada pela Contact, desabafou nas redes sociais: “Levei muito tempo para me sentir confortável e confiante no meu corpo. Não serei perseguida, o meu corpo não será censurado, pois não há nada de errado com ele”, escreveu.

Nas horas seguintes, a plataforma, que tem centenas de milhões de utilizadores em todo o mundo, foi repetidamente acusada de discriminar pessoas negras, reacendendo os protestos anti-racismo.

Após várias tentativas de partilha, a 31 de julho, o Instagram permitiu que a fotografia ficasse no Instagram de Cameron — já os seguidores que tentaram fazê-lo com a hashtag de apoio não conseguiram, denunciou a modelo.

Embora tudo isto se tenha passado no final de julho, o pedido de desculpas do Instagram só chegou mais de uma semana depois. “Não devia ser precisa uma tempestade nas redes sociais para que as imagens permaneçam online ou para o Instagram me pedir desculpas. As minhas imagens e o meu corpo devem ser respeitados o suficiente para ficar numa plataforma que é para ‘TODAS’ as pessoas”, desabafou a modelo numa publicação feita a 9 de agosto.

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