Saúde

Porque é que a maioria dos fumadores não tem cancro do pulmão? O segredo está no ADN

É essa a conclusão de um estudo recente sobre este enigma da ciência. Mas não há dúvidas: fumar continua a ser perigosíssimo.
É um dado curioso

Fumar é perigoso e, quem fuma, incorre num risco muito mais elevado de desenvolver cancro do pulmão. Parece algo que ninguém ousaria negar. No entanto, os números parecem apontar para outra realidade — e um novo estudo procura descobrir a ciência que o pode explicar.

Estima-se que a probabilidade de um não-fumador de contrair cancro do pulmão seja de uma em seis mil. Essa probabilidade aumenta para cinco a dez. No entanto, a maioria dos fumadores acaba por não desenvolver cancro do pulmão.

De acordo com Nuno Gil, da Unidade de Pulmão da Fundação Champalimaud e citado pela revista “Visão”, em Portugal, estima-se que em 100 fumadores, apenas 15 desenvolverão cancro do pulmão. É algo difícil de compreender

Segundo um novo estudo, publicado na segunda-feira, 11 de abril, na “Nature Genetics”, a explicação pode estar no nosso ADN, sobretudo no dos fumadores. De acordo com os investigadores, fumar tem o efeito previsível de aumentar o número de mutações nas células pulmonares que podem dar origem a um cancro. Porém, ao fim de algum tempo, sobretudo nos fumadores regular, algo de estranho sucede.

As conclusões indicam que assim que se fuma o equivalente a um maço de cigarros por dia, durante 23 anos, o aumento das mutações parece ser interrompido.

“Os nossos dados sugerem que os indivíduos que sobrevivem durante tanto tempo apesar de fumarem tanto, o fazem porque conseguem suprimir a acumulação de mutações”, explica Simon Spivack, um dos autores do estudo. “Esta estabilização nas mutações pode ter origem no facto de estas pessoas terem sistemas de reparação do ADN muito proficientes e que ajudam a desintoxicar o fumo dos cigarros.”

Esta conclusão torna-se possível graças ao método criado há cinco anos, numa universidade de medicina de Nova Iorque, que permite medir as mutações nas células pulmonares que eventualmente conduzem ao cancro.

Desengane-se quem pensar que isto é uma boa notícia. Fumar continua a ser um dos grandes motores do surgimento do cancro do pulmão. “Esta experiência confirma que fumar aumenta o risco de cancro do pulmão, por precisamente aumentar a frequência das mutações”, nota Spivack. A novidade está precisamente no facto de que “os que mais fumam” não tinham “a maior quantidade de mutações”.

Trata-se, contudo, de um pequeno estudo que terá necessariamente que levar a novas investigações. “Este pode ser um importante primeiro passo para a prevenção e a deteção precoce do risco de cancro do pulmão, livrando-nos dos esforços hercúleos que exigem as batalhas em fases mais avançadas.”

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