Saúde

Portugal está em alerta: casos de bronquiolite pressionam hospitais de todo o País

Entre 2015 e 2018, foi responsável pela hospitalização de mais de 26 mil miúdos. Este ano volta a atacar.
Afeta os mais novos.

Os dias mais frios estão a chegar em força e com eles os malditos vírus que parecem apanhar os miúdos semana sim, semana não. Não é surpresa, portanto, que as urgências tenham registado um pico de atendimentos no último mês.

Neste momento, “o vírus que está a predominar na pediatria é o sincicial respiratório, o VSR”, revelou o pediatra Paulo Venâncio à NiT. Este agente viral pode provocar doença respiratória em pessoas de todas as idades, e, geralmente, todos os miúdos até aos 2 anos são infetados por este vírus, que é responsável pela maior parte das bronquiolites agudas.

O VSR é a causa mais comum das infeções nas vias respiratórias até aos 5 anos de idade e um dos motivos que leva ao aumento de internamentos durante as estações mais frias. “Este ano a chegada do vírus parece ter sido antecipada, e é o que tem estado a predominar no contexto hospitalar”, revela. Os sintomas começam normalmente com secreções nasais, o chamado pingo do nariz, a tosse, a dificuldade a respirar e/ou uma respiração tipo assobio. “A febre pode, ou não aparecer”, explica o especialista.

Embora atinja sobretudo crianças saudáveis e bebés de termo, “os prematuros e os recém-nascidos com outras patologias associadas são os que correm maior risco de serem gravemente afetados”, refere Paulo Venâncio.

Portugal não é o único país onde o cenário é preocupante. Nos hospitais de Paris, estão a ser adiadas consultas e cirurgias devido a uma epidemia de bronquiolite que que está a levar ao internamento de centenas de miúdos. Esta inflamação aguda das vias aéreas inferiores é muito frequente nos dois primeiros anos de vida e tem maior prevalência no fim do outono e no inverno.

Segundo um novo estudo feito por um grupo de profissionais de saúde portugueses e divulgado a 14 de novembro, “as hospitalizações são principalmente motivadas por crianças saudáveis”. De acordo com esta investigação — que tinha por objetivo aferir a carga e gravidade do vírus sincicial respiratório (VSR) em Portugal — entre 2015 e 2018, os 26.062 casos de internamentos devido ao vírus e com infeção respiratória aguda “representaram 6,7 por cento das hospitalizações por todas as causas de miúdos com menos de 5 anos e 23,4 por cento depois de excluídas as hospitalizações relacionadas com as rotinas de nascimento”.

O artigo científico financiado pela farmacêutica Sanofi e disponibilizado na plataforma de publicações científicas Wiley refere que os miúdos com menos de 2 anos representaram 96,3 por cento dos casos e 67,1 por cento de todas as hospitalizações ocorreram durante os primeiros seis meses de vida.  Os dados indicam ainda que a taxa de hospitalização anual específica por VSR durante as épocas epidémicas analisadas foi de 23,8 por 1.000 miúdos com menos de 12 meses, de 3,0 entre os 12 e 23 meses e de 0,4 entre 24 e 49 meses.

Pelo menos um marcador de gravidade respiratória foi reportado em 71,7 por cento dos casos específicos de VSR. A ventilação mecânica invasiva foi utilizada em 106 casos (1,5 por cento), a ventilação não invasiva em 591 (8,2 por cento) e a suplementação de oxigénio em 4.209 (58,1por cento). Durante o período de estudo morreram nove miúdos, sendo que oito deles tinham menos de 2 anos.  Os investigadores concluíram ainda que os miúdos “estão em maior risco de internamento durante o primeiro ano de vida, embora também tenha sido observado um número não negligenciável de internamentos em mais velhos”.

Em Portugal. os surtos por vírus sincicial respiratório ocorrem tipicamente entre outubro e novembro, e abril e maio. O estudo salienta ainda que nascer antes ou durante a época epidémica parece aumentar o risco de internamento. “Estas conclusões salientam a necessidade de um sistema eficaz de vigilância do VSR, estratégias de prevenção bem definidas e uma nova solução preventiva que possa ajudar a alargar a proteção a todas as crianças”, alerta o estudo. As manifestações clínicas do vírus sincicial podem variar de infeções respiratórias leves a graves, incluindo bronquiolite e pneumonia.

Leia o artigo sobre o vírus que mais ataca os miúdos e evite idas às urgência.

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