Saúde

Portugal já tem 14 casos confirmados de varíola dos macacos

Depois das primeiras infeções conhecidas no País no início da manhã desta quarta-feira, chegaram mais confirmações à tarde.
Foram identificados mais 9 casos.

O número de casos confirmados em Portugal com a varíola dos macacos subiu para 14. Depois dos primeiros cinco conhecidos na quarta-feira, 18 de maio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) identificou mais nove ao final da tarde do mesmo dia. Encontram-se ainda em análise outros dois casos suspeitos, ainda sem confirmação.

“A DGS informa que foram confirmados mais nove casos de infeção humana por vírus Monkeypox em Portugal, havendo, até ao momento, 14 casos confirmados”, explicou em comunicado. O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) continua a motorizar os infetados e a tentar perceber a origem do surto.

Os casos identificados mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis. Neste momento, decorrem ainda os inquéritos epidemiológicos, com o objetivo de identificar cadeias de transmissão e potenciais novos casos e respetivos contactos”, continua a DGS.

Esta é uma doença rara e são se transmite facilmente entre humanos. Ainda assim, são deixadas algumas recomendações e sinais a que deve estar alerta.

“É transmissível através de contacto com animais ou ainda em contacto muito próximo com pessoas infetadas. Os indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, devem procurar aconselhamento clínico”.

O médico Gustavo Tato Borges presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) explicou à NiT que estes pacientes podem ter sido infetados “numa viagem ou através de contacto próximo com alguém que visitou um destino em que este vírus circula com mais facilidade e ativamente, como é o caso de alguns países africanos”. E acrescentou: “cá em Portugal não foram infetados, de certeza absoluta”.

O especialista em saúde pública explicou ainda que “podem ter contraído o vírus em algum desses países e depois terem regressado, já infetados, a Portugal”. Ainda assim, sublinha que as investigações ainda decorrem e não sabem se “este cinco casos viajaram juntos, se trabalham juntos, ou se têm efetivamente alguma relação, por isso, ainda se torna difícil enquadrar em que condições se deu o contágio”.

Varíola dos macacos: que doença é esta?

É uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.

O contacto com animais vivos ou mortos infetados são fatores de risco, mas a doença não se transmite facilmente entre humanos. Porém, as autoridades de saúde  não descartam “a possibilidade de transmissão em caso de contacto extremamente próximo com uma pessoa infetada”.

Em 2002, um surto de varíola dos macacos com origem em mamíferos do Gana contagiou 47 pessoas nos Estados Unidos. No mesmo país, em 2021 foram relatados dois casos de varíola humana importados da Nigéria.

Os primeiros sintomas incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, inchaço dos nódulos linfáticos, arrepios e cansaço extremo. Esta doença é em muitos aspetos semelhante à varíola humana, erradicada em 1979 — mas menos transmissível e mortal. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves.

Apesar de ter sido declarada erradicada, desde setembro de 2017 que a Nigéria continua a relatar casos de varíola humana — no Delta do Rio Níger a varíola dos macacos é endémica.

A OMS aponta a interrupção da vacinação contra a varíola humana em 1980 como um dos motivos que justificam o surto de infeções que se tem vindo a registar nas várias semanas em muitos países.

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