Saúde

Portugal pode atingir “linha vermelha” de casos por cem mil habitantes em duas semanas

Os dados foram avançados por Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, na reunião do Infarmed.
O desconfinamento começa a fazer-se notar nos números.

Esta terça-feira, 13 de abril, decorre mais uma reunião do Infarmed que junta especialistas e políticos para analisar os dados relativos pandemia de Covid-19 no nosso País. André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde (DGS), éfoi o primeiro especialista a apresentar os dados da situação epidemiológica em Portugal na reunião do Infarmed.

Segundo o especialista, Portugal está, neste momento, com uma incidência cumulativa a 15 “moderada”, próxima dos 71 casos por 100 mil habitantes, “e com uma tendência ligeiramente crescente”. Alguns concelhos estão com uma incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes. No total, são 22 concelhos, sendo que é no Algarve e no Alentejo que se encontram a maioria destes concelhos.

Já Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), que falou sobre a Evolução da incidência e transmissibilidade, apresentou os dados do R (índice de transmissibilidade) que tem tido “aumento sistemático”, o que está a preocupar os especialistas.

Os dados mais recentes remetem para 8 de abril, em que o R está nos 1.09 — na última reunião do Infarmed estava em 0.89. “O tempo que leva para que o número e casos passe para o dobro está em 35 dias”, diz, acrescentando que “há uma inversão da tendência passando neste momento para um crescimento dos novos casos por dia”.

De acordo com Baltazar Nunes, se Portugal continuar neste nível de crescimento e com 71 casos por cem mil habitantes, a estimativa “é que leve entre duas semanas e um mês a chegar ao limite dos 120 casos por cem mil habitantes”.

No que diz respeito à incidência por idade,  o especialista do INSA indica que há um “aumento muito significativo da tendência nos grupos etários abaixo dos 9 anos, principalmente perto dos 5, 6 anos” – um dado que atribui à abertura do primeiro ciclo das escolas. Também se observa um aumento da incidência nos grupos dos dez aos 19 anos e dos 25 e aos 50 anos. Por outro lado, a redução da incidência nas pessoas com mais de 65 anos é um sinal “muito positivo”.

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