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Saúde

Portugal poderá ter 14 mil casos diários ainda em janeiro (mesmo em confinamento)

Projeções apontam para semanas difíceis pela frente. O cenário seria ainda mais devastador caso nenhumas medidas fossem aplicadas.
Cenário agrava-se.

O primeiro-ministro, líderes partidários, dirigentes de confederações patronais e estruturas sindicais reuniram com especialistas para avaliar a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal, na sede do Infarmed, em Lisboa.

Naquela que foi a primeira reunião no Infarmed este ano (e a primeira desde novembro), diferentes especialistas deram conta do atual contexto do País, numa altura em que se avizinha novo período de confinamento, já a partir da próxima quinta-feira.

Manuel Carmo Gomes, professor de Epidemiologia da Universidade de Lisboa, levou a cabo uma apresentação com estimativas para os próximos dias. Salientado que se tratam de previsões, em função dos dados existentes, Manuel Carmo Gomes admite que, mesmo com melhorias, Portugal poderá atingir um total de 14 mil casos diários ainda em janeiro. E deixa o aviso: “teremos pela frente as semanas mais difíceis desta pandemia”. 

“A última estimativa que temos de taxa média, de 8 de janeiro, com 6,5 por cento de aumento por dia” significa que, se nada for feito, “de 11 em 11 dias se duplicam os casos”. Na prática, estas estimativas admitem que o País poderia ter mais de 18 mil casos diários a 19 de janeiro, e mais de 37 mil mais perto do final do mês, a 27 de janeiro. Este é, convém salientar, o pior cenário dados os números existentes.

Usando os dados de referência da primeira vaga, em particular duas semanas de confinamento (de 16 a 28 de março), o que é projetado mostra que, mesmo com uma descida, o cenário que se avizinha é complicado. “Assumindo que esta desaceleração se mantém constante nos próximos dias, dificilmente evitaremos os 14 mil casos diários”, admite Manuel Carmo Gomes, algo que aconteceria dentro de duas semanas.

Ainda em janeiro, Portugal deverá ultrapassar os 700 internados em unidades de cuidados intensivo e “dificilmente evitará entre 140 a 150 óbitos por dia” dentro de duas semanas. “É difícil evitar isso”, reconheceu o especialista.

Manuel Carmo Gomes realçou ainda que o salto nos números verificados já este ano, em que durante dias consecutivos o País tem tido médias a rondar os 10 mil casos por dia, poderá ter alguma ligação com o fenómeno verificado entre 24 e 29 de dezembro. “Aproximadamente 5 mil casos escaparam ao processo normal de testagem. [As pessoas] não foram testadas, muitas não deram importância à sintomatologia ou tinham e não foram testadas”, explicou.

A reunião do Infarmed que decorre esta terça-feira, 12 de janeiro, será preponderante para a definição das medidas de confinamento que se avizinham.

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