Saúde

Problema de bolor em casa deixa mulher de 37 anos com demência

Além de ter engordada e deixado de trabalhar, a australiana esqueceu-se de quem era. Chegou a ser diagnosticada com Alzheimer.
Tem agora 42 anos.

É sabido que as condições em que vivemos podem determinar o nosso estado de saúde. Porém, às vezes os inimigos nem sempre estão visíveis, como aconteceu no caso de Amie Skilton. A australiana de 42 anos revelou como uma infestação secreta de bolor na sua casa em Sydney a levou a ser diagnosticada com demência e até a esquecer o seu próprio nome.

O tempo de chuva constante que assolou a costa leste da Austrália nos últimos 18 meses significa que muitos residentes estão agora perfeitamente conscientes da rapidez com que o bolor se instala em casa — e de como pode ser difícil livrar-se dele.

Embora a maioria das pessoas saiba que o bolor é prejudicial à saúde, é difícil saber quanto impacto pode ter até que se experimenta na primeira pessoa. Amie Skilton faz parte dos 25 por cento da população australiana que tem uma vulnerabilidade genética às toxinas do bolor, o que significa que a exposição a estes microorganismos desencadeia uma enorme resposta inflamatória no corpo que pode levar a danos sérios nos órgãos.

Em 2016,  quando tinha 37 anos, a australiana mudou-se para o apartamento com o seu agora marido. Segundo o seu relato, à data era uma pessoa “perfeitamente saudável”, que corria nove quilómetros “por diversão”.

O que ela e o companheiro não sabiam é que a impermeabilização no chuveiro tinha ficado danificada durante uma renovação recente e, como resultado, a água estava a acumular-se debaixo do tapete. Passado uns tempos de se terem mudado para a nova casa começou a sentir-se doente, com imensas alergias. Depois notou um grande aumento de peso, cerca de 10 quilos em poucos meses, que chegaram aliados a um cansaço extremo. Com o passar do tempo a sua estabilidade mental foi-se deteriorando.

Esqueceu-se como é que se vestia e quem era

Começou por sentir dificuldades em concentrar-se e em trabalhar. Preocupada, consultou um neurologista que a diagnosticou com Alzheimer do tipo três, também conhecida como Alzheimer por inalação. À medida que a doença avançava, coisas simples como sair de casa tornavam-se uma tarefa árdua porque não se conseguia lembrar onde estavam as suas chaves, ou o seu telemóvel.

“Alguns dias não conseguia descobrir como me vestir. Olhava para a roupa e ficava muito confusa sobre como vesti-la”, revelou a um jornal australiano, aqui citado pelo “The New York Post”. Mas o mais assustador, segundo a australiana, foi não se lembrar do seu próprio nome.

Até que a verdadeira raiz do problema fosse diagnosticada passaram-se vários meses. Todos os exames que fazia vinham inconclusivos. Porém, certo dia, depois de ver uma publicação sobre o gene do bolor, Amie Skilton pediu a um canalizador que fosse verificar os canos na sua casa. Não encontraram nada. Mas isso não a descansou. Chamou um especialista em biologia e descobriram o bolor. “Quando tiramos a capa do colchão, estava verde, estávamos a dormir sob o bolor, literalmente.”

Assim que obteve os resultados de todos esses testes, tornou-se “100 por cento claro que, não só o local tinha fugas e mofo, mas também o meu sistema imunitário tinha reagido da forma como sabemos que a minha genética ditaria em face do mofo”.

Cinco anos e uma mudança de casa depois, os sintomas de Skilton reverteram-se. A sua função cerebral voltou ao normal, tem a sua energia de volta e já não está a sofrer nenhum dos sintomas horríveis que estava a sentir.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT