Saúde

Prozis organizava festas privadas com cabras anãs e Castelo Branco a rebolar na palha

Um ex-funcionário conta à NiT que se vivia um ambiente de loucura na empresa, à imagem da extravagância do fundador.
O fundador decidiu simplesmente levar cabras anãs para o escritório.

A Prozis está no centro da maior polémica da sua história, depois de Miguel Milhão, o fundador da marca, ter revelado no Linkedin que concordava com a decisão tomada pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América que torna ilegal o aborto em vários estados. “Parece que os bebés por nascer voltaram a ganhar os seus direitos nos EUA! A natureza está-se a curar”, escreveu no domingo, dia 26 de junho.

Nas horas seguintes houve um dilúvio de comentários negativos contra Milhão, que se expandiram para as restantes redes sociais, como o Facebook, Twitter e Instagram. No meio das críticas de clientes e seguidores da Prozis, alguns ex-funcionários começaram a partilhar as suas próprias experiências na empresa, revelando algumas histórias no mínimo insólitas. A NiT falou com um destes trabalhadores, que preferiu não revelar a identidade.

“Comecei a trabalhar na Prozis no início de 2019 e saí perto do final do ano. Apanhei uma altura de transição, quando estávamos a mudar da antiga sede em Esposende para a nova, na Maia”. Este antigo funcionário do departamento de informática revela também que o ambiente era pesado, sobretudo por causa da natureza das brincadeiras organizadas por Miguel Milhão.

“Saí dali também por estar desalinhado com a cultura da empresa. Em outubro, do nada e sem qualquer aviso prévio, vimos um cercado com palha dentro do escritório, como se fosse uma quinta. Depois apareceu lá uma cabra anã”.

Esta suposta piada surgiu numa altura em que se falava cada vez mais sobre as empresas unicórnio em Portugal — um termo usado para descrever os negócios que passam a valer vários milhões de euros pouco tempo após a fundação. Porém, esta expressão desagradava ao fundador, que preferia referir-se à Prozis como uma GOAT, palavra que se pode traduzir para cabra ou Greatest Of All Time (o maior de sempre, em tradução livre).

Apesar desta explicação, na altura, os funcionários não perceberam o motivo para haver animais à solta no escritório — pensavam até que estaria a ser construído um presépio no escritório, uma vez que o Natal se aproximava. “Até questionámos o que se estaria a passar no Slack da empresa [a plataforma da Prozis onde os funcionários podem falar entre si]. Era só porque o senhor Miguel Milhão queria. Basicamente, era trabalhar e não questionar. Ainda assim, questionámos internamente e dissemos que aquele não era um sítio adequado. Mas não houve preocupações com as nossas queixas.” 

Com este “capricho” veio mais um problema: a sujidade. “No segundo dia, quando chegámos ao escritório, havia muitas fezes e mais uma cabra extra. Os animais estavam com liberdade de movimento, então havia sujidade por todo o lado, até onde fazíamos as refeições”, conta. 

O informático não sabe, contudo, se as cabras estavam sob stress por viverem durante tanto tempo neste ambiente adverso. Mas soube que acabaram por ficar confinadas a um pequeno espaço, dentro do escritório, onde já não se podiam movimentar tão facilmente.

Porém, a pior parte da história chegaria mais tarde. Em dezembro, para celebrar o Natal na Prozis, a direção convidou vários influencers e celebridades para passarem o dia no escritório, junto da equipa. O socialite José Castelo Branco, um dos embaixadores da marca, fazia parte dessa lista. 

“Passou parte do dia no escritório a rebolar no cercado com as cabras”, conta o antigo funcionário. “Eu não fui à festa, mas soube disso por colegas que ainda lá estavam”. Esse momento bizarro foi filmado pelos funcionários da empresa, que partilharam as imagens em exclusivo com a NiT.  

A NiT está a tentar falar repetidamente com a Prozis desde a manhã de terça-feira, dia 28 de junho, mas até ao momento ainda não obteve resposta. 

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