Saúde

Psicólogas lançam projeto online e gratuito de rastreio de doenças mentais

Beatriz Silva e Liliana da Silva, uniram-se para criar a #rastreiaAmente, uma iniciativa que pretende ajudar quem precisa.

“Identificar uma doença mental não é tão fácil quanto reconhecer uma entorse”. Nunca foi tão importante falar sobre saúde mental como hoje. A pandemia, guerra, aumento do custo de vida: os últimos anos têm sido realmente desafiantes. Tanto, que em conferência de imprensa realizada a 16 de junho, a Organização Mundial da Saúde apelou a todos os países que reforcem o investimento na saúde mental, afirmando que o “sofrimento é enorme”.

Ter esse acompanhamento em Portugal, contudo, não é assim tão fácil. Se no setor público a lista de espera é longa, através do privado os preços são bastante elevados. A pensar nas pessoas que sentem a necessidade de fazer um primeiro rastreio, mas que não têm recursos financeiros para isso, Beatriz Silva e Liliana da Silva, psicólogas, juntaram-se num projeto de apoio gratuito.

“Reconhecemos que existe uma falta de acessibilidade a serviços de saúde mental em Portugal e, por isso, decidimos criar o #rastreiaAmente”, diz à NiT Beatriz Silva, uma das fundadoras da iniciativa. Online e gratuito é aberto a todos os adultos, independentemente da condição financeira ou localização geográfica.

A única condição é que cada candidato tenha os equipamentos necessários para a realização do contacto: “computador, telemóvel e um espaço sossegado onde possa falar”. Os rastreios iniciais têm a duração de 20 a 30 minutos e serve para “despistar sintomas relevantes e conduzir até ao melhor acompanhamento”.

As profissionais não pretendem nesta fase fazer um diagnóstico, até porque “não há tempo suficiente para isso”. Em vez disso, “o propósito destas sessões é identificar a possível presença de sinais que possam ser relevantes e estar a ter um impacto negativo no funcionamento do indivíduo”.

Caso estes sinais se encontrem presentes, será reforçada a necessidade de procura de avaliação mais específica e de intervenção. Seja com as psicólogas ou não. “Não há uma obrigação de continuar connosco, aí já depende da decisão de cada um”.

Em pleno século XXI, ainda existe um estigma associado à doença mental que é preciso eliminar. O diagnóstico e acompanhamento dos doentes é fundamental para que ganhem anos de vida, e que para que mantenham a sua participação ativa na sociedade.

Cansaço pandémico, ansiedade pós-pandémico e preocupação com as repercussões da guerra: a atualidade acionou os sinais de alerta para a saúde mental e deu-lhe uma visibilidade nunca antes vista.  O desafio da saúde mental em Portugal é, agora, “aproveitar a onda e não deixar que o tema volte a ser menos visível, e garantir que as pessoas estejam conscientes e despertas para o problema”.

Todos os meses Beatriz Silva e Liliana da Silva vão disponibilizar questionários nas páginas do Instagram que devem ser preenchidos e enviados. Serão depois selecionados seis candidatos para o primeiro rastreio. A iniciativa vai acontecer uma vez por mês e, não conseguindo participar na primeira data, há a possibilidade de passar para a lista de espera da iniciativa seguinte.

O contacto com os inscritos será realizado por ordem de submissão do pedido de rastreio, via email. “Pessoas que sintam mudanças de comportamento ou não consigam identificar o que se passa com elas”, vão encontrar neste espaço um apoio de que podem precisar. A primeira data do rastreio mental gratuito vai ser divulgada já a 1 de outubro, sábado, nas páginas de Instagram das fundadoras.

Leia acerca do novo estudo sobre o contributo de ouvir música, tocar e cantar para a melhoria da saúde mental.

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