Saúde

Psicólogos dizem que portugueses vão continuar a ter medo de sair de casa

Um inquérito da plataforma Fixando questionou 600 profissionais clínicos e 1200 famílias portuguesas sobre o impacto do confinamento.
Boas notícias.

Mesmo quando terminar o estado de emergência, os portugueses vão continuar a ter “pânico” de sair de casa. Quem o diz é um inquérito da Fixando revelado esta terça-feira, 21 de abril, que questionou 600 psicólogos e 1200 famílias portuguesas.

Segundo os resultados, os equilíbrios emocionais e mentais da população nacional poderão agravar significativamente. 55 por cento dos portugueses revelaram sentir-se mais stressados no período da pandemia da Covid-19 e, deles, 48 por cento apontam como causa as perdas de rendimento, enquanto 45 por cento dizem ser pelo confinamento em casa.

Já os psicólogos dizem que a médio prazo vai surgir o medo de sair de casa e a longo prazo podem surgir patologias como Transtorno Obsessivo Compulsivo. “Em algumas pessoas haverá certamente o aparecimento ou recaídas de quadros depressivos e ansiosos. A ansiedade já era uma das perturbações mentais que mais afetava os portugueses e continua a sua ascenção”, revelou um profissional clínico.

Ataques de pânico, agorafobia, fobia social e stress pós-traumático são algumas das formas em que esta ansiedade se poderá manifestar, indicam os profissionais de saúde.

Segundo o inquérito, é consensual que o confinamento vai aumentar as dificuldades financeiras e emocionais, o que se poderá traduzir numa influência negativa sobre os comportamentos sexuais. Por um lado, explica, há um impacto positivo da partilha de mais momentos em família e divisão de funções; por outro, no entanto, a falta de previsão de futuro poderá causar stress.

“Depende dos casais e das pessoas. O ‘nós’ do casal pode ser, nesta fase, um balão de oxigénio ou um copo de veneno para o ‘tu’ e o ‘eu'”, alerta um psicólogo.

Nas famílias com filhos pequenos e adolescentes, os psicólogos dizem que poderá depender da adaptação de cada uma, sendo mais difícil para aqueles que estão em teletrabalho e têm miúdos mais novos em casa, situações em que poderão surgir mais conflitos.

As famílias com adolescentes poderão ter adaptações mais fáceis, já que estes são mais independentes e, assim, exigem menos tempo aos pais.

Os filhos pequenos podem apresentar sintomas de medo e ansiedade infantil porque não entendem muito bem o que se está a passar“, revela a psicóloga Elayne Nogueira. “É importante explicar às crianças, numa linguagem adequada, o que se passa. No caso dos adolescentes, também poderão apresentar sintomas de ansiedade ou depressão, que devem ser observados e acompanhados pelos pais e, se necessário, um profissional de saúde mental”, acrescenta.

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