Saúde

Publicidade com o virologista Pedro Simas foi suspensa por “alegações enganosas”

A Zeiss foi obrigada a acabar com a campanha a uma lente que "elimina 99,9% dos vírus e bactérias potencialmente nocivos da superfície".
A campanha foi suspensa.

A empresa Zeiss foi obrigada, pela Auto Regulação Publicitária, a terminar com uma campanha promocional referente a uma lente que “elimina 99,9% dos vírus e bactérias potencialmente nocivos da superfície”. A campanha tinha como rostos o virologista Pedro Simas e a apresentadora Catarina Furtado, diz o “Jornal de Notícias”.

A entidade reguladora concluiu que as alegações “não são verdadeiras”, são enganosas, sendo a campanha capaz de influenciar de “forma abusiva o consumidor”. A queixa foi apresentada pela Essilor, concorrente no setor dos produtos óticos.

Embora não analise a eficácia da lente, por não lhe competir, a entidade realça que a utilização da imagem da apresentadora viola a alínea f) do artigo 46 do código da publicidade, que impede que se “faça referência a uma recomendação emanada por cientistas, profissionais de saúde ou outra pessoa que, pela sua celebridade, possa incitar ao consumo de dispositivos médicos”.

O mesmo artigo é aplicado à presença de Pedro Simas na campanha da Zeiss, com a agravante de ser “eticamente mais censurável dado que esta personalidade tem ‘entrado na casa dos consumidores’ por via da comunicação social quase diariamente e sempre associado à situação pandémica em que vivemos, transmitindo e recomendando atitudes e comportamentos neste contexto, pelo que esta associação se afigura a este JE [Júri de Ética] particularmente grave e capaz de influenciar de forma abusiva o consumidor”.

Também está a ser criticada a participação do especialista num programa do Canal Saúde +, em que Pedro Simas participa como convidado, relativamente a um segmento publicitário onde se refere às lentes da Zeiss.

“Não se pode, assim, deixar de entender que as alegações comerciais efetuadas na segunda parte do programa, apesar de estarem identificadas com a menção ‘PUB’, não se encontram devidamente separadas do programa de informação”, diz a deliberação da Auto Regulação Publicitária.

Direito de reposta da Carl Zeiss Vision Portugal

Apesar de V. Exas. não terem tido, porventura, acesso ao conteúdo integral da decisão da ARP, o mesmo deve ser globalmente atendido para um competente tratamento jornalístico da matéria, sendo de destacar as seguintes apreciações contidas nessa decisão:

“Apreciada a comunicação comercial em análise, considera este JE que a mesma não contém, ao contrário do pretendido pela Requerida, uma alegação relativa a garantia de cura, bastando-se na apresentação das características inovadoras e comprovadas das lentes, a saber e aqui em causa, as suas propriedades antivirais, não as apresentando tão pouco de forma abusiva ou assustadora, conforme prescrito na alínea j) do artigo 46.º aqui reproduzido. Do mesmo modo, também não se considera serem postas em crise as recomendações conjuntas elaboradas pela Direção-Geral do Consumidor e pela ARP que instam não alegar falsamente que o bem ou serviço é capaz de curar ou ajudar a prevenir e curar doenças, designadamente, a COVID-19. Com efeito, nenhum claim é efetuado no sentido de alegar a cura ou tratamento para a COVID-19. O mesmo se dirá quanto às alíneas a) e b) do n. º3 do artigo 43.º não se encontrando na comunicação comercial informações desconformes ou exageradas.”

Assim, destacamos que o título e os próprios artigos induzem o leitor em erro ao não fazerem menção de qualquer parte supra da decisão da ARP, dando a impressão errónea e lesiva para a Zeiss de que foi publicitado um produto que não tinha as qualidades que eram anunciadas. 

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