Saúde

Pulseiras que detetam a presença de drogas em bebidas estão a chegar a Portugal

Basta uma gota ou saliva, para que estes objetos mudem de cor em segundos, no caso de o líquido ter sido adulterado com substâncias perigosas.

As saídas à noite com amigas, ou até mesmo para uma mulher sozinha, nunca são feitas de forma totalmente descontraída. A preocupação com a segurança é um dos motivos. Em 2024, o Instituto de Medicina Legal realizou 78 exames para detetar a presença de drogas em casos de suspeita de agressão sexual. São substâncias muitas vezes sem cor, sem cheiro ou sabor, que são misturadas nas bebidas. 

As chamadas “drogas da violação” estão a aumentar e há dezenas de tipos diferentes. As mais usadas, no entanto, são o ácido gama-hidroxibutírico (GHB), uma droga depressora do sistema nervoso central (que deixa de ser encontrada no organismo passado poucas horas), o óxido nitroso, usado muitas vezes como anestésico e a cetamina, que induz um estado de transe e causa a sensação de perda de memória.

Por este motivo, há quem hesite em aceitar bebidas em restaurantes, bares, discotecas ou festivais que não tenham visto a serem preparadas. O medo de ser drogada é constante para as mulheres, mas, em breve, poderá haver uma forma de saber se alguém está a tentar fazê-lo.

E será tão fácil como colocar uma gota ou até com um pouco de saliva numa pulseira, que permite detetar diferentes tipos de substâncias. É esta a proposta do investigador e professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT), Carlos Lodeiro Espiño, coordenador do projeto pioneiro.

Espiño criou uma pulseira descartável, que inclui uma tecnologia que consegue detetar a presença de drogas através de uma gota ou mesmo da saliva para perceber se a bebida foi ou não adulterada com as “drogas da violação”.

As pulseiras, semelhantes às que são dadas em festivais, têm dois sensores. Um deles consegue detetar a presença de GHB, ou ecstasy líquido, muito utilizado em ambientes de diversão, através de uma tinta especial que é produzida. Assim que a amostra da bebida entra em contacto com a tinta, no caso de ter presença da droga, é ativado o contraste. A circunferência cor de laranja passa a verde fluorescente, em segundos.

O outro foi pensado para identificar a presença de catecolaminas, como a escopolamina ou burundanga, assim como metanfetamina, cetaminas ou catinonas. “Em casos positivos, o sensor passa de amarelo claro a um tom mais avermelhado, facilmente identificável como sendo positivo”, refere o investigador ao “Observador”.

A pulseira foi pensada apenas para ser usada como defesa pessoal, ou seja, de forma a que quem a utilizar possa garantir a sua própria segurança. No entanto, o dispositivo não tem qualquer validade forense, o que significa que nunca poderá ser usada como prova em caso de crime.

A equipa de investigadores responsáveis pelo projeto está agora a trabalhar para conseguir um produto semelhante que grave o registo da presença de drogas nas bebidas para que possa ter utilidade para investigações policiais. O passo seguinte, segundo o professor, é tornar a pulseira acessível a todos os eventos e festas, como, aliás, já acontece em Valência, Espanha, onde se começou a testar o acessório. 

O projeto, desenvolvido em conjunto pelo Grupo BIOSCOPE do Laboratório Associado LAQV REQUIMTE, da NOVA FCT, e a Universidade de Valência, a Universidade Politécnica de Valência e a empresa Celentis, já tem dado frutos. As pulseiras começaram a ser distribuída na cidade espanhola no início de 2024 e agora já estão disponíveis em farmácias e outros pontos de venda.

O investigador acredita que em setembro ou outubro deste ano já será possível comprar as pulseiras também em Portugal. Os preços variam entre 1,30€ e 1,80€ por unidade. Cada dispositivo está previsto durar cerca de cinco dias, desde que não dê nenhum teste positivo.

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