Saúde

Ressona ou pára de respirar enquanto dorme? O dentista pode ajudar

A apneia do sono é mais comum nos homens com idades mais avançadas ou pessoas que respiram pela boca enquanto dormem.
Acordar cansado ou ter falta de memória não é normal.

Sente sonolência durante o dia e um cansaço excessivo que o impedem de trabalhar e ter uma vida social normal? Podem ser sintomas de apneia do sono. Estar atento à forma como dorme, ou como se sente durante o dia, pode ajudar o médico diagnosticar (e tratar) esta doença.

Uma apneia acontece quando paramos de respirar durante pelo menos 10 segundos. A apneia obstrutiva do sono acontece quando estas paragens se repetem durante o sono. Geralmente há um colapso do palato, língua ou epiglote e também ser provocada por uma má respiração pelo nariz. 

Pedro Miguel Cebola é especialista em Medicina Dentária na CUF – Unidade de Medicina do Sono e explicou à NiT que existem vários sinais que denunciam esta condição e que podem facilitar o diagnóstico e tratamento. Regra geral, os pacientes com apneia do sono sentem fadiga e têm muito sono durante o dia, têm um ressonar incomodativo enquanto dormem, e hipertensão arterial secundária e não controlada por medicamentos. “Geralmente, quanto pior for o ressonar, maior será a probabilidade de ter apneia do sono”, alerta.

Uma outra situação a que pode e deve estar atento é se pára de respirar durante o sono — o que será mais fácil de avaliar se dormir acompanhado. “Se sentir alguma falta de memória e concentração, também poderá significar que o cérebro não está a receber a oxigenação necessária durante a noite”, explica o médico dentista.

Se for a uma consulta do sono, o profissional de saúde vai aconselhá-lo a fazer uma polissonografia para despistar se há ou não apneia do sono. Se houver, faz-se um novo teste, o DISE (Drug Induced Sleep Endoscopy), que diagnostica a doença com exatidão, o que vai certamente melhorar a sua qualidade de vida. “O paciente está anestesiado e através de uma câmara conseguimos ver o que é que está a provocar a apneia”, descreve Pedro Miguel Cebola. E acrescenta: “com este exame conseguimos dar a melhor opção de tratamento ao paciente.”

Nos casos em que a causa encontrada é a mandíbula muito para trás, que causa a obstrução da via aérea e impede o ar de passar, o médico dentista tenta perceber se o reposicionamento do osso será a solução mais eficaz. Nos casos em que isto acontece, “constrói-se um dispositivo de avanço mandibular (DAM) que é usado todos os dias, deve ser colocado no momento de ir dormir, e impede que a apneia aconteça”, explica.

Mas quem é que é mais propício a desenvolver uma apneia do sono? Segundo o médico dentista, as pessoas com obesidade, com o pescoço largo (acima dos 41 centímetros) ou curto, com a mandíbula muito para trás ou que respiram pela boca são mais propícias à doença. No entanto, isto acontece “mais nos homens que nas mulheres e normalmente em idades mais avançadas.”

O caso de Pedro Correia

Pedro Correia tem cerca de 54 anos e treina muay thai com o médico dentista Pedro Miguel Cebola. Um dia em conversa de fim de treino, confidenciou que sentia imenso cansaço, ligeira hipertensão arterial e adormecia com facilidade, por exemplo, a ver televisão ou mal se sentava no sofá. Além disto ressonava imenso, ao ponto da esposa estar a ponderar dormir noutro quarto.

O médico aconselhou-o a ir a uma consulta do sono e foi-lhe prescrito uma polissonografia. O exame revelou que sofria de apneia do sono obstrutiva moderada, sendo esta a possível causa dos sintomas descritos.

Foi então realizada uma endoscopia do sono (DISE), e os especialistas da equipa da CUF consideraram que poderia ser um bom candidato para um dispositivo de avanço mandibular (DAM). “Testou-se, resultou e ainda hoje uso o aparelho todas as noites”, afirma Pedro Correia.

Com a utilização do DAM, sentiu melhorias imediatas. Estava menos cansado, a tensão arterial estava normalizada, treinava com mais energia, não adormecia com facilidade e a esposa manteve-se no mesmo quarto — deixou de ressonar. 

Passado um mês realizou um novo exame do sono, em casa e com o DAM colocado, e a apneia do sono estava tratada. “Primeiro estranha-se dormir com o aparelho na boca, que parece uma boqueira que se usa no boxe, mas hoje em dia já não me faz diferença nenhuma e resultou perfeitamente”, assegura.

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