Saúde

Reunião no Infarmed: Portugal apresenta a taxa de transmissão “mais baixa da Europa”

Os especialistas presentes no encontro dizem que a melhoria é assinalável, mas alertam que ainda é cedo para aliviar confinamento.
País melhor mas com cautela.

No mês de janeiro Portugal sentiu como nunca tinha sentido o impacto da pandemia: aos recordes de novos casos diários juntaram-se recordes no número de óbitos e uma pressão imensa sobre os hospitais. No espaço de semanas, há melhorias a destacar, entre elas o facto de Portugal apresentar nesta altura a menor taxa de transmissão de Covied-19 da Europa. Ainda assim, especialistas pedem cautela.

Um dado saltou à vista na reunião do Infarmed desta segunda-feira, 22 de fevereiro. A 9 de fevereiro, data da anterior reunião do Infarmed, Portugal apresentava uma taxa de incidência acima de 960 casos por100 mil habitantes, o que mantinha o País no topo dos que mais preocupações causavam. À data da reunião desta segunda-feira, a transmissão em Portugal está no intervalo entre 240 até 480 casos por 100 mil habitantes.

Os dados foram apresentados por Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que realça que, nesta altura, “Portugal apresenta o r mais baixo da Europa”. “O valor do R encontra-se abaixo de 1 em todas as regiões do continente e das regiões autónomas. E nos últimos cinco dias tem estabilizado em torno de 0,66 e 0,68”, especificou.

Baltazar Nunes destacou como as medidas de confinamento terão contribuído para esta variação favorável num período de poucas semanas. Já antes, André Peralta Santos, da Direção-Geral de Saúde, destacara na sua apresentação que  se verificava no País uma “descida significativa da doença”. Ainda assim, era ainda preciso “consolidar” esta melhoria, especialmente porque a situação nos hospitais ainda é de pressão.

Baltazar Nunes realçou ainda que, se continuarmos com a redução atual, “continuaremos a descer a velocidade acentuada”. Segundo a estimativa do especialista, a manter-se a evolução atual, na primeira quinzena de março o País estará abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes, sendo que na última quinzena poderá descer mesmo até aos 60 casos por 100 mil habitantes.

Tal tendência de descida no número de casos irá ter reflexo nos hospitais. Ainda assim, o mesmo especialista estima que só a meio de março atingiremos cerca de 320 camas ocupadas em unidades de cuidados intensivos e só no final de março é que deveremos chegar às 200 camas de ocupação. Para termos uma noção comparativa, “no pico da epidemia, em março e abril de 2020, o pico que atingimos foi de 270 camas”, realçou Baltazar Nunes. “Ainda estamos muito longe de atingir esse valor”.

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