Saúde

Risco de aborto espontâneo aumenta durante o verão — mas não é só por causa do calor

A NiT falou com um ginecologista que explicou quais as causas possíveis e como prevenir um desfecho trágico.
Um momento duro.

Verão é sinónimo de bom tempo, alegria, festas, leveza e boa disposição. Porém, para algumas famílias, estes meses podem esconder uma dura realidade — a perda gestacional na fase inicial da gravidez. Um novo estudo sugere que o risco deste desfecho pode aumentar nesta época estival, devido ao calor extremo. A NiT falou com o ginecologista Fernando Cirurgião que explicou que esta pode não ser realmente a causa.

“Até 30 por cento das gravidezes podem terminar em abortos espontâneos, e cerca de metade são inexplicáveis.” Esta é uma das conclusões de uma pesquisa realizada pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston (nos EUA), publicado em maio na revista “Epidemiology”.

Os investigadores analisaram as diferenças sazonais nos dados relativos à gravidez de mais de 6.100 mulheres e verificaram que na América do Norte, as grávidas têm um risco 44 por cento mais elevado de aborto precoce durante o verão do que no inverno — em particular, no mês de agosto, em comparação com fevereiro. Os dados referem-se a perdas gestacionais até às oito semanas de gravidez. O risco de aborto a qualquer momento da gestação foi 31 por cento mais elevado em agosto do que em fevereiro.

Através da análise dos dados geográficos descobriram que as grávidas que viviam no sul ou no centro-oeste dos Estados Unidos — algumas das regiões mais quentes do país — tinham mais probabilidades de sofrer um aborto espontâneo no final de agosto e início de setembro.

Os autores do estudo sugerem que as altas temperaturas podem ser um fator que contribui para a perda gestacional, acrescentando, contudo, que é necessário continuar a investigar para compreender a possível ligação. No entanto, o ginecologista Fernando Cirurgião explica à NiT que acredita que estes números possam ser justificados não só pelo calor, mas pelo estilo de vida, mais agitado, que se tem durante o verão.

“Durante a gravidez aconselhamos a que as pacientes reduzam o ritmo e o stress, sobretudo nas primeiras semanas. As primeiras oito são o período mais frágil de uma gestação, que depois se prolonga até às 12”. É nestes primeiros meses que acontece a formação da placenta. “Este período é fundamental para a viabilidade de uma gravidez. Este órgão é o que permite a sobrevivência do bebé durante toda a sua formação no útero da mãe. Quando há problemas com a placenta, a gravidez pode ficar comprometida“, alerta o médico. Por isso é que é importante abrandar o ritmo e viver esta fase o mais tranquilamente possível. “E, por vezes, no verão, com os jantares, as idas à praia e os eventos com os amigos, acabam por não cumprir esta recomendação.”

Os cuidados a ter com o calor durante a gravidez

Além de abrandar o ritmo de vida e beber muita água para manter um nível de hidratação adequado, há outros aspetos que as grávidas devem ter em conta. O tempo quente é um fator de risco para as gastroenterites provocadas por alimentos deteriorados e que causam a inflamação do estômago. Esta condição pode ser provocada por vírus, bactérias e parasitas. Para prevenir, segundo o especialista, devem seguir as seguintes recomendações:

— lavar as mãos (ainda) com mais frequência;
— evitar consumir alimentos que representam um maior risco de contaminação, ou seja, crus mal lavados ou mal cozidos (ovos, legumes, frutas, peixes, carnes de aves);
— mantenha os produtos lácteos e os molhos no frio e tenha atenção ao prazo de validade;
— consumir apenas leite e queijos pasteurizados;
— beber água engarrafada sempre que se encontre em viagem ou em locais onde as condições de águas e saneamento sejam desconhecidas.

As subidas de temperaturas agrestes afetam todos, mas em especial as grávidas. Além destas indicações, devem preferir refeições leves, nutritivas e frescas. Carregue na galeria para descobrir as medidas recomendadas pela Direção-Geral da Saúde para prevenir os efeitos do calor intenso.

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