Saúde

Risco de morte é 81 vezes maior nas três primeiras semanas pós infeção por Covid-19

Novo estudo mostra que doentes infetados são "mais propensos a desenvolver numerosas condições cardiovasculares" e riscos associados.
Deve haver uma monitorização pós infeção.

Um estudo publicado esta quinta-feira, 19 de janeiro, na revista científica da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC) revela que os pacientes de Covid-19 são mais propensos a desenvolverem várias condições cardiovasculares do que quem nunca foi infetado.

Não é novidade que o coronavírus está associado a um maior risco de se desenvolverem patologias que afetam o coração ou os vasos sanguíneos. Mas a investigação feita por Ian Wong, um professor da Universidade de Hong Kong, admite uma ligação entre a doença e a morte a curto e a longo prazo.

“Em comparação com os indivíduos não infetados [com o vírus SARS-CoV-2], a probabilidade de morte de pacientes com Covid-19 foi 81 vezes maior nas primeiras três semanas de infeção e permaneceu cinco vezes superior até 18 meses depois”, lê-se na publicação. O que pode ser justificado, segundo adiantou Ian Wong, pelo facto de os pacientes contagiados serem “mais propensos a desenvolver numerosas condições cardiovasculares em comparação com os participantes não infetados”.

A investigação desenvolvida entre março de 2020 e agosto de 2021, comparou a ocorrência de doenças cardiovasculares e de óbitos em cerca de 7500 doentes diagnosticados no Reino Unido (entre 16 de março e 30 de novembro de 2020) e outros participantes não infetados. De acordo com a SEC, estes elementos teriam uma média de idade de 66 anos.

Cada grupo de pessoas sem sinais de contágio — que tinha mais de 70.000 participantes — era semelhante ao conjunto com Covid-19 em vários critérios, como idade, sexo, tabagismo, diabetes, pressão arterial alta, doenças cardiovasculares e outras condições de saúde, índice de massa corporal e etnia.

“Os pacientes de Covid-19 tinham uma maior probabilidade de ter várias condições cardiovasculares em comparação com participantes não infetados, tanto a curto como a longo prazo, incluindo enfarte do miocárdio, doença cardíaca coronária, insuficiência cardíaca e trombose venosa profunda”, referem as conclusões da SEC.

Os dados apurados indicaram ainda que os pacientes com coronavírus grave eram mais propensos a desenvolver doenças cardiovasculares ou a morrer do que casos menos gravosos da infeção pelo SARS-CoV-2. Já os riscos de algumas condições cardiovasculares, como acidente vascular cerebral e fibrilhação auricular, foram considerados elevados em doentes com Covid-19 a curto prazo, mas depois voltaram aos níveis normais.

Segundo o porta-voz da ESC, Héctor Bueno, perante os resultados agora conhecidos, os doentes “devem ser monitorizados pelo menos durante um ano após a recuperação da doença aguda para permitir diagnosticar complicações cardiovasculares da infeção”, no âmbito da condição conhecida como long covid.

Ainda assim, o autor da investigação salienta que este estudo foi realizado durante a primeira onda da pandemia, num altura pré-vacinação. “Pesquisas anteriores indicaram que a vacina contra a Covid-19 pode prevenir complicações”, disse.

Serão necessárias, por isso, “novas pesquisas” de forma a avaliar a eficácia da vacinação na redução dos riscos de doenças cardiovasculares e morte após infeção.

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