Saúde

Santa Maria teve 10 crianças em cuidados intensivos com Síndrome Pós-Covid

O hospital revela que algumas delas tiveram falência cardíaca e que houve um caso ainda mais grave.
Aconteceu no Santa Maria.

As consequências de uma infeção por Covid-19 ainda são uma dúvida.  Há quem passe pela doença sem sintoma, quem continue a tê-los mesmo após testar negativo para a doença e ainda aqueles que só têm problemas após a iinfeção A isto chama-se Síndrome Pós-Covid — a NiT já lhe falou sobre a doença neste artigo.

Esta síndrome não escolhe idades e, por isso, o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, revela esta terça-feira, 9 de março, que já teve internados nos cuidados intensivos pediátricos uma dezena de crianças e jovens (entre os sete e 17 anos= com Síndrome Inflamatória Multissistémica. A maioria tinha passado de forma assintomática pela infeção pelo novo coronavírus.

À Lusa, citada pela “TVI24”, marisa Vieira, diretora da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) pediátricos, explica que este síndrome, que é como que uma resposta exagerada do sistema imunitário e está associado à infeção por Sars-Cov-2, tem aparecido cerca de quatro semanas após a infeção e que “a maioria destas crianças foram assintomáticas”.

Nestes dez casos, quatro deles, ainda em 2021, precisaram de internamento “porque tiveram falência cardíaca importante”. Porém, houve um caso mais grave em que o doente teve de estar ligado ao ECMO (sistema que pode substituir os pulmões e o coração).

O que é mais curioso nestes pacientes é que nenhum deles soube que estava infetado. Só depois de uma análise serológica no hospital é que se concluiu que já tinham estado em contacto com o novo coronavírus. 

“O que havia era infeção anterior em contexto familiar, com pais ou avós que tinham sido positivos ao novo coronavírus quatro a seis semanas antes”, disse a diretora da UCI.

Estes doentes apresentavam febre, dor abdominal, diarreia, vómitos, alguma disfunção cardíaca, sensação de desmaio e falta de força. Há ainda crianças, normalmente  as mais novas, com sintomas semelhantes à doença de Kawasaki, com alterações na pele, olhos muito vermelhos e fissuras nos lábios.

Felizmente, todas as crianças e jovens tiveram alta hospitalar e continuam a ser seguidos em cardiologia. No entanto, Maria Vieira pede que os pais estejam atentos  a quaisquer sintomas desta síndrome.

Já diretora da cardiologia pediátrica do Hospital Santa Maria, Mónica Rebelo, defende que as crianças que tenham tido algum sintoma de Covid-19, mesmo que ligeiro a moderado, devem ser vistas pelo médico assistente antes de retomarem a atividade física.

“Para retomar a atividade, sobretudo obviamente (…) no exercício mais intenso – por exemplo, o desporto federado -, devem ser acompanhados e devem contactar o médico assistente. Devem mesmo ser avaliados por alguém da cardiologia e, pelo menos, o eletrocardiograma está recomendado.”

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