Saúde

Se teve Covid-19 fique atento a dores localizadas e inexplicáveis (pode ter zona)

Caso tenha estado infetado nos últimos meses, os especialistas alertam: esteja atento a possíveis indícios desta doença.
Um passo atrás.

Se já esteve infetado com Covid-19, deve ficar atento a possíveis sintomas de zona. A patologia pode ser desencadeada pelo coronavírus responsável pela infeção, conclui um estudo publicado a 5 de maio de 2022 no “Open Forum Infectious Diseases da Sociedade de Doenças Infeciosas da América”. Os resultados baseiam-se nos registos clínicos que contêm alegações médicas, medicamentos prescritos e dados de resultados laboratoriais em ambulatório.

A investigação observou adultos com idade superior a 50 anos (utilizando informação de duas grandes bases de dados recolhidos nos EUA) e compara infetados pelo vírus da SARS-CoV-2 com não infetados, tendo em consideração vários fatores de risco para o Herpes Zoster, uma patologia mais conhecida como zona.

As principais conclusões revelam que quem contraiu Covid-19 tinha mais 15 por cento de probabilidade de desenvolver a doença em comparação com pessoas nunca estiveram infetadas. O risco de desenvolver zona foi considerado elevado durante os seis meses após o diagnóstico de infeção pelo vírus.

A descoberta é válida mesmo para pessoas que tiveram formas menos graves ou assintomáticas da infeção por coronavírus. Porém, a probabilidade de contrair esta infeção é maior quanto mais graves tenham sido os sintomas da Covid-19.

O que é a zona?

É uma infeção viral que ocorre com a reativação do vírus varicela-zoster, que permanece adormecido no organismo após a infeção inicial. É uma doença que só surge, normalmente, nas pessoas que já tiveram varicela no passado e, muitas vezes, décadas após a exposição inicial do doente ao vírus. 

“Embora geralmente seja uma erupção cutânea autolimitada, pode ser mais grave e com muita dor associada, que pode durar semanas a meses”, explica à NiT Ana Teresa Boquinhas, especialista em Medicina Interna na CUF Tejo .

Segundo a médica, os sintomas começam com uma dor aparentemente inexplicável e delimitada a uma zona do corpo, ou seja, ao longo do dermátomo — uma área da pele em que todos os nervos sensoriais vêm de uma única raiz nervosa — seguida em dois a três dias por uma erupção. “Os achados físicos incluem bolhas, com líquido claro, agrupadas numa base vermelha. Geralmente são muito dolorosas. Pode também surgir febre, especialmente se as lesões forem extensas”, explica.

As erupções.

A disseminação acontece sobretudo em pessoas com o sistema imunitário debilitado. A complicação mais frequente é a dor que persiste mais de quatro semanas nas áreas afetadas, após a cicatrização das lesões cutâneas. 

As feridas podem afetar também os olhos. Nestes casos, a pessoa deve ser observada por um oftalmologista, de forma a detetar precocemente alterações e evitar sequelas oculares graves. O diagnóstico desta condição, de acordo com a profissional de saúde, é feito essencialmente pela apresentação clínica.

Embora resulte, de forma geral, de uma falha do sistema imunológico em conter a replicação latente do vírus da varicela, existem outros fatores que contribuem para o surgimento da zona — a exposição à radiação solar, trauma físico, certos medicamentos, outras infeções e stress. Teresa Boquinhas sublinha que “devem ser descartadas doenças associadas que conduzam a uma baixa imunidade, como o VIH”.

A zona não tem cura, mas existe uma vacina que a previne

A especialista em Medicina Interna confirma à NiT que “existem fármacos, entre os quais anti-virais, que demonstraram ser seguros e eficazes no tratamento da doença ativa e na prevenção da dor associada”. Porém, o diagnóstico deve ser feito rapidamente, porque os medicamentos “devem ser administrados preferencialmente até 72 horas após início dos sintomas”, refere a médica. E podem também ser usadas outras intervenções medicamentosas no controlo da dor recorrendo a corticosteróides, analgésicos e antidepressivos.

Recentemente chegou a Portugal uma vacina desenvolvida especificamente para superar este declínio na função imunitária e ajudar a proteger as pessoas à medida que envelhecem. É administrada por via intramuscular em duas doses, em adultos com idade igual ou superior a 18 anos.

Esta é a primeira inoculação contra o herpes zoster a combinar um antigénio não-vivo com um adjuvante especificamente desenvolvido para ativar uma resposta robusta e direcionada do sistema imunitário contra o varicella-zoster vírus, ou VZV. Em poucas palavras, Teresa Boquinhas explica que: “é indicada para a prevenção de zona e da dor nevrálgica associada, em adultos com 50 anos ou mais”. 

Este é um sinal de esperança, uma vez que: “quase todos os adultos com mais de 50 anos têm este vírus latente no seu organismo. O declínio natural do sistema imunitário relacionado com a idade pode permitir que o vírus seja reativado, causando herpes zoster”.  Quem tem o sistema imunitário suprimido ou comprometido tem também maior probabilidade de desenvolver a doença.

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